
Wrap de vegetais em cama de abóbora ganhou 1.º lugar na categoria de entradas
Cerca de 600 estudantes do ensino secundário de norte a sul do país (incluindo Madeira e Açores) criaram pratos reunindo três características: um elevado valor nutricional, um baixo custo económico e uma pegada ecológica reduzida, no âmbito de um concurso promovido pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa do Porto (UCP Porto). Entre os premiados está um wrap de vegetais em cama de abóbora, um hambúrguer de cogumelos e um sorvete de couve-flor.
Marta Correia, co-organizadora do concurso e coordenadora da licenciatura em Ciências da Nutrição na UCP Porto, contou ao JN que a Universidade se tem esforçado por aproximar os jovens do ensino secundário das questões da sustentabilidade alimentar e do papel que a nutrição pode desempenhar na promoção da saúde. "Achámos que tínhamos de encontrar uma forma mais disruptiva de envolvê-los nestas temáticas de forma divertida, mas muito construtiva e pedagógica", clarificou, ao explicar como surgiu a ideia para o concurso.
O JN falou com Carolina Rodrigues Duarte, de 17 anos, que, juntamente com a colega Carolina Moura Bento, confecionou um sorvete de couve-flor em crepes de quinoa, prato que lhes valeu o 2º lugar na categoria "Sobremesas".
"Procuramos sempre receitas e métodos mais sustentáveis e mesmo alimentos locais", assegurou Carolina Duarte, explicando que foi a possibilidade de aliar criatividade com culinária que despertou o interesse das alunas do Colégio Luso-Francês pela iniciativa.
Também as estudantes do grupo Limos0, que ficou em 1º lugar na categoria "Entradas", fizeram questão de usar produtos locais. "Todos os produtos biológicos que usámos na receita vieram dos nossos quintais", contou Renata Pinto, membro do grupo, ao JN.
As três alunas de 11.º ano do Colégio de Lamas, em Santa Maria da Feira, produziram um wrap de vegetais em cama de abóbora, para o qual tentaram utilizar todas as partes dos produtos, de modo a ter "o mínimo desperdício possível".
Já na categoria "Pratos Principais" foi o grupo GreenForce, composto por quatro alunos da Escola Secundária do Monte da Caparica, em Almada, que venceu o primeiro prémio, ao criar um hambúrguer de cogumelos e duchesse de tremoço.
Tatiana Lourenço, membro do grupo, contou ao JN que foi principalmente a preocupação com o ambiente que levou os alunos do 11.º ano a participar no concurso.
A professora Marta Correia mostrou-se positivamente surpreendida pela "adesão tão significativa" dos alunos de 66 escolas secundárias ao desafio lançado. "O trabalho feito quer pelos alunos, quer pelas escolas, mostra que eles estão conscientes da importância deste tema nas suas vidas e, mais do que isso, tiveram interesse em pôr as mãos na massa e desenvolver estas receitas", assegurou ao JN.
"Tivemos de ser muito criteriosos"
Marta Correia explicou ainda que, em cada categoria (entrada, prato principal e sobremesa) os melhores trabalhos foram escolhidos por uma triagem em duas fases. Na primeira, um júri composto por quatro especialistas em nutrição selecionou as 30 receitas finalistas. Seguidamente, um outro júri, composto por especialistas em ambiente, análise sensorial, transição alimentar e sustentabilidade escolheu os premiados. "Tivemos de ser muito criteriosos e rigorosos", salientou.
Para a professora, a adesão verificada vem confirmar a necessidade de iniciativas como esta, com os mesmos objetivos de sustentabilidade alimentar e alimentação saudável. No entanto, acredita que o facto de haver uma recompensa monetária para os vencedores pode também ter levado mais alunos a participar, já que cada primeiro lugar vai receber 100 euros, os segundos 60 euros e os terceiros lugares 40 euros cada.
Marta Correia sublinhou ainda que a Universidade Católica está empenhada em reinventar a nutrição sustentável e equilibrada. "Temos a convicção de que se apostarmos na literacia, se despertarmos as consciências destes jovens para a necessidade de fazerem escolhas alimentares saudáveis e sustentáveis, nós estamos a promover não só a sua saúde no futuro, como a do planeta", concluiu.
No total, cerca de 600 estudantes de 66 escolas secundárias a nível nacional responderam ao desafio. Cada grupo, composto por um professor e 1 a 4 alunos, desenvolveu a receita, preparou o prato e documentou o processo.
