
JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
O secretário-geral do PS, António Costa, abriu este domingo a porta à renovação do apoio à recandidatura de Rui Moreira à Câmara do Porto.
A mensagem é clara: o PS quer ganhar as autárquicas do próximo ano, "habitualmente e em regra" vai apresentar candidatos próprios, mas deve estar disponível para apoiar candidaturas independentes "onde as coisas estejam a correr bem".
António Costa apenas deu o exemplo da Câmara Municipal do Funchal - onde os socialistas integram um executivo municipal liderado por Paulo Cafôfo, coligação cujo trabalho elogiou e admitiu repetir. E apesar de nunca ter citado o nome do autarca ou da cidade do Porto, António Costa deixou a porta aberta à renovação do acordo que hoje o PS tem com Rui Moreira.
Há "situações onde o PS tem integrado e integra, com grande satisfação" a gestão de determinadas autarquias, disse o secretário-geral do PS. E, num recado interno, foi claro sobre o que deve ser feito.
"O mais natural é que não se deixe de integrar listas de movimentos independentes, se a governação corre bem, porque é assim que servimos as cidades", defendeu, no discurso de encerramento do congresso socialista, que decorreu nos últimos três dias, na Feira Internacional de Lisboa (FIL). .
Antecipando o desagrado de alguns que não se conformem com o facto de o PS não apresentar um candidato próprio à Câmara do Porto, Costa usou uma imagem alegórica. "Gosto muito do emblema da mãozinha [referindo-se ao símbolo do PS], mas o maior disparate que se pode fazer é, em nome do emblema da mãozinha, sacrificar a gestão de uma cidade", disse, lembrando a sua militância desde os 14 anos.
Costa reconheceu que a decisão de apoio às candidaturas autárquicas é das concelhias e das federações, mas lembrou que pode avocar a si a decisão em caso de não haver acordo. "Espero que não seja necessário e que tudo se resolva a bem em cada concelhia ou federação", disse.
Postura leal e construtiva na UE
O secretário-geral do PS defendeu também uma postura leal e construtiva na Europa, sem embarcar em bravatas nem estar numa posição de submissão, frisando que não é possível ser socialista fora da União Europeia.
"Bem sei que por vezes é difícil ser socialista no quadro da União Europeia, mas há uma coisa sobre a qual não tenho a menor das dúvidas: é que fora do quadro da União Europeia é impossível ser socialista", afirmou António Costa.
"Não é possível regular as alterações climáticas, regular o comércio internacional, combater o terrorismo, procurar ter um sistema de justiça fiscal que não seja assente nas 'offshores' e no dumping fiscal se não tivermos União Europeia a sério, forte, e com a participação de Portugal".
Para António Costa, Portugal não pode estar na União Europeia apenas atento e obrigado "a ver o que vai acontecer", mas sim "de uma forma leal e construtiva".
"Estar de uma forma leal e construtiva é nem embarcar em bravatas nem estar numa posição de submissão. Nós somos iguais entre iguais", afirmou António Costa.
Lista de Costa conquista 233 lugares
A lista do secretário-geral do PS, António Costa, para a Comissão Nacional conseguiu 233 dos 251 lugares, correspondentes a 92,8% dos votos, enquanto a lista encabeçada por Daniel Adrião conseguiu 18 lugares.
Os resultados foram anunciados pelo presidente do PS e da Mesa do Congresso, Carlos César: a lista A, da direção, conseguiu 988 votos e a lista alternativa recolheu 79 votos. Votaram em branco para a eleição da Comissão Nacional - órgão máximo do partido entre Congressos - 47 delegados.
A lista da direção à Comissão Nacional é encabeçada pela secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes. Entre os primeiros lugares desta lista, estão dois dos principais representantes da Tendência Sindical Socialista: Rui Riso (UGT) e Carlos Trindade (CGTP-IN), ocupando respetivamente as sexta e oitava posições.
A inclusão destes nomes coincide com o objetivo da direção do PS de colocar mais representantes da esfera sindical, assim como ativistas sociais, na Comissão Nacional do PS, o órgão máximo partidário entre congressos.
Na lista de Ana Catarina Mendes, na parte cimeira de uma lista que apresenta 251 efetivos, estão o antigo ministro da Saúde António Correia de Campos (2.º lugar), a secretária de Estado da Educação Alexandra Leitão (4.º lugar) e na quinta posição o ex-dirigente Sérgio Sousa Pinto, que se demitiu do Secretariado Nacional do PS por discordar do acordo político com o Bloco de Esquerda e o PCP para a formação do atual Governo.
A eurodeputada Maria João Rodrigues (em 7.º lugar), o deputado Miranda Calha (8.º lugar) e a secretária de Estado Ana Sofia Antunes (10.º lugar) são outros nomes que constam na primeira linha da lista da secretária-geral adjunta do PS.
Na lista de Daniel Adrião surge em terceiro lugar a militante Cristina Martins, que na Federação de Coimbra denunciou o caso de fichas falsas o qual levou para já à suspensão de quase duas dezenas de militantes afetos à corrente do atual líder dessa distrital, Pedro Coimbra.
À Comissão Nacional de Jurisdição concorreu apenas uma lista, que conseguiu 1024 votos a favor (90 delegados votaram em branco).
Este órgão continuará a ser presidido por Telma Correia e terá como efetivos Marcelino Pires, Cristina Bento, Vítor Pereira, Francisco Oliveira, Armando Paulino, João Serrano, Ana Maria Basto e António Reis.
Para a Comissão Nacional de Fiscalização Económica e Financeira concorreu também uma lista única, que recolheu 1027 votos favoráveis (registarma-se 87 votos em branco).
À frente deste órgão continuará Domingues Azevedo, que terá como efetivos Hugo Lobo, Ana Elisa Silva Costa Santos, Luís Catarino Costa, Daniel Filipe Moreira Lopes, Carla Custódio e Ricardo Costa.
