Debate quinzenal

Costa garante que Centeno não mentiu sobre CGD

Costa garante que Centeno não mentiu sobre CGD

O primeiro-ministro assegurou, esta quarta-feira, que o ministro das Finanças "não mentiu" ao parlamento quando disse que desconhecia as razões do pedido de demissão da administração da CGD.

Em resposta à líder bloquista Catarina Martins, no debate quinzenal no parlamento, António Costa garantiu que "o senhor ministro das Finanças não mentiu e não há provas que tenha assumido esses compromissos".

Já antes o socialista havia sido confrontado pelo líder parlamentar social-democrata Luís Montenegro sobre as declarações de Centeno no parlamento, quando disse que desconhecia os motivos de saída do ex-administrador António Domingues.

Para Montenegro, o ministro "mentiu", aludindo a uma alegada carta do ex-administrador da Caixa, António Domingues, revelada esta quarta-feira pelo jornal online Eco, que compromete Mário Centeno. No documento enviado ao ministro, a 15 de novembro, o banqueiro lembra o governante do compromisso assumido pela tutela para que não seja obrigatória a entrega da declaração de património ao Tribunal Constitucional.

"Não estranha que o ministro das Finanças lhe tenha ocultado informações sobre a correspondência que trocou?", atirou Montenegro.

"Foi, desde logo com grande surpresa que vimos serem suscitadas dúvidas sobre as implicações da exclusão dos membros do conselho de administração da CGD do Estatuto do Gestor Público (EGP), concretamente sobre a possível necessidade de envio de tais declarações ao Tribunal Constitucional", lê-se na missiva.

Domingues escreveu ainda que, a não entrega da informação ao Constitucional, "foi uma das condições acordadas para aceitar o desafio de liderar a gestão da CGD e do mandato para convidar os restantes membros dos órgãos sociais, como de resto o Ministério das Finanças confirmou".

Na resposta a Catarina Martins, tendo em conta que não o fez em relação às questões do deputado do PSD, Costa lembrou que o Governo "retirou os gestores da CGD das obrigações do Estatuto do Gestor Público" - isentando António Domingues e a restante administração daquela obrigação - muito antes de a polémica ter surgido.

A líder do CDS, Assunção Cristas, também confrontou o primeiro-ministro com o teor da mesma carta. "O ministro Mário Centeno tem estado tão atrapalhado e tão atrapalhado está que já se percebeu que mentiu nesta casa. Vale a pena também uma reflexão sua sobre essa matéria: em que medida é que pode manter confiança num ministro que mentiu nesta casa, de forma agora perfeitamente clara e evidente", apontou a centrista, a quem, tal como Montenegro, Costa não retorquiu.

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