Prémio

Gulbenkian distingue defesa de refugiados

Gulbenkian distingue defesa de refugiados

Uma organização não-governamental húngara, dedicada ao apoio legal de migrantes e refugiados, e uma professora australiana, da área do Direito, venceram o Prémio Calouste Gulbenkian de 2017. Será entregue pelo Presidente da República.

A Hungarian Helsinki Commitee e Jane MacAdam vão repartir o prémio de cem mil euros. Foram reconhecidos pelo seu "inestimável contributo na defesa dos direitos humanos, em particular, dos refugiados.

Os vencedores nacionais foram a Sociedade Portuguesa de Matemática (na vertente Conhecimento), a Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (Sustentabilidade) e a Sociedade Artística Musical dos Pousos (Coesão). Cada um receberá 50 mil euros. A Gulbenkian esclarece que as três vertentes agora distinguidas correspondem às áreas em que concentrará a sua intervenção, nos próximos anos. O júri do segmento nacional do prémio é presidido por António Feijó, catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

As distinções serão entregues na próxima quinta-feira, dia 20 (o Dia Calouste Gulbenkian), pelo Presidente da República, no Anfiteatro ao Ar Livre da fundação.

A acompanhar a cerimónia, o maestro José Eduardo Gomes vai dirigir os músicos da Orquestra da Gulbenkian por obras de Beethovan e Jennifer Higdon. Pelas 21.30 horas, será possível ouvir o fado de Gisela João, no Grande Auditório da fundação. A entrada para os espetáculos será gratuita, mas os interessados terão de levantar os bilhetes, por uma questão de lotação do espaço.

Quem são os premiados

1 A organização não-governamental Hungarian Helsinki Commitee dá apoio jurídico gratuito a requerentes de asilo, refugiados e apátridas na Hungria. Tem sido uma "a voz crítica mais audível das políticas ilícitas e desumanas" praticadas naquele país do leste europeu, considerou o júri do concurso, presidido pelo antigo Presidente da República Jorge Sampaio. Foi graças ao seu trabalho que a Comissão Europeia abriu dois processos contra a Hungria por violação da lei comunitária em matéria de asilo e que o Parlamento Europeu, o Conselho da Europa e a ONU tomaram posições muito críticas da atuação do Governo húngaro.

2 Jane MacAdam dirige o Centro de Direito Internacional de Refugiados na Universidade de Nova Gales do Sul, na cidade australiana de Sidney e o seu pensamento tem contribuído para a "criação de soluções seguras, duradouras e legais" em resposta às complexas questões ligadas à migração forçada e ao desalojamento devido às consequências das alterações climáticas e catástrofes naturais. Tem trabalhado de perto com o Alto Comissariado para os Refugiados, o ACNUR, gerido por António Guterres até à sua eleição para secretário-geral das Nações Unidas.

3 A Sociedade Portuguesa de Matemática mereceu a distinção pela sua atividade da disseminação do conhecimento na área, nomeadamente através das Olimpíadas da Matemática, que têm colocado a disciplina num enquadramento estimulante e criativo, junto de estudantes e professores.

4 Os esforços da Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense para reduzir a pegada ecológica dos viticultores mereceram-lhe a distinção na vertente da Sustentabilidade. A parceria entre empresas, academia, entidades públicas e associações empresariais trabalha em áreas relacionadas com a conservação dos solos, o uso de fertilizantes, a produção biológica, a redução do impacto das alterações climáticas, a preservação da biodiversidade e a promoção da economia circular.

5 A "originalidade, a consistência e o caráter inovador" com que a Sociedade Artística Musical dos Pousos promove a integração social pela arte foram reconhecidas pelo júri. A organização leva música a idosos, doentes de Alzheimer ou em cuidados paliativos, ou a populações seniores a viver em locais isolados. Um dos programas desenvolvidos foi o Ópera na Prisão. Apoiado pela Gulbenkian, levou a ópera de Mozart D. Giovanni ao Estabelecimento Prisional regional de Leiria.

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