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Há 500 mil pessoas analfabetas em Portugal

Há 500 mil pessoas analfabetas em Portugal

Em Portugal, 130 mil iletrados têm menos de 65 anos, mas o Governo não possui estratégia de combate ao problema. Porto desenha projeto para levar ao país.

Rafaela tem 36 anos e não sabe ler. Tem o sonho de saber escrever o seu nome completo "em letra normal e sem ajuda" (ler história ao lado); e como ela há 500 mil pessoas em Portugal, sendo que 130 mil com idades entre os 15 e 65. O Governo não tem uma estratégia para o analfabetismo e o Programa Qualifica, vocacionado para a educação para adultos, não apresenta medidas para a população iletrada, apesar de o Ministério da Educação (ME) dizer que vai lá chegar. No Porto, desenha-se um projeto para replicar no país e contrariar esta realidade.

A ideia é da Associação Portuguesa de Educação e Formação para Adultos (APEFA), conta com vários parceiros do Norte e pretende chegar, já no final de maio, a quem não sabe ler e escrever na zona oriental do Porto, em Campanhã. O projeto-piloto dá pelo nome de "Percursos de Cidadania - Alfabetização solidária", visa começar com dois grupos, com dez alunos em cada, e é "para todas as pessoas nesta situação, mas visando muito as que estão em idade ativa", adiantou Armando Loureiro, presidente da APEFA.

"Posteriormente, será avaliado e replicado no resto do país". Nessa altura, "será necessária toda a ajuda da tutela", porque serão precisas equipas próprias e uma estratégia, já que "há zonas do país onde as populações estão dispersas e/ou isoladas e é preciso acautelar-se uma série de questões, como, por exemplo, os transportes", pormenorizou.

O presidente da APEFA defende que "este é um problema muito sério que o país continua a ter", embora tenha vindo sempre a descer. Em 1970, 25% da população era analfabeta; hoje, são 5,2%.

O sociólogo e responsável pelo programa Novas Oportunidades, Luís Capucha, explica que na estatística dos 500 mil iletrados "ainda se verifica o efeito geracional, ou seja, encontram-se as pessoas mais velhas". Todavia, por outro lado, "estão pessoas em idade ativa, o que é preocupante".

Neste segundo grupo, "estão as de 50 anos, que ainda sofreram os efeitos de resquícios de um outro tempo; e as mais jovens, vítimas de exclusão social". Capucha assevera que "não houve, nos últimos anos, um verdadeiro esforço na educação para adultos", já que "fomos apenas às franjas mais fáceis". "E estas pessoas acabam excluídas do mercado e vão pesar depois na proteção social", alerta.

A ideia é da Associação Portuguesa de Educação e Formação para Adultos (APEFA), conta com vários parceiros do Norte e pretende chegar, já no final de maio, a quem não sabe ler e escrever na zona oriental do Porto, em Campanhã. O projeto-piloto dá pelo nome de "Percursos de Cidadania - Alfabetização solidária", visa começar com dois grupos, com dez alunos em cada, e é "para todas as pessoas nesta situação, mas visando muito as que estão em idade ativa", adiantou Armando Loureiro, presidente da APEFA.

"Posteriormente, será avaliado e replicado no resto do país". Nessa altura, "será necessária toda a ajuda da tutela", porque serão precisas equipas próprias e uma estratégia, já que "há zonas do país onde as populações estão dispersas e/ou isoladas e é preciso acautelar-se uma série de questões, como, por exemplo, os transportes", pormenorizou.

O presidente da APEFA defende que "este é um problema muito sério que o país continua a ter", embora tenha vindo sempre a descer. Em 1970, 25% da população era analfabeta; hoje, são 5,2%.

O sociólogo e responsável pelo programa Novas Oportunidades, Luís Capucha, explica que na estatística dos 500 mil iletrados "ainda se verifica o efeito geracional, ou seja, encontram-se as pessoas mais velhas". Todavia, por outro lado, "estão pessoas em idade ativa, o que é preocupante".

Neste segundo grupo, "estão as de 50 anos, que ainda sofreram os efeitos de resquícios de um outro tempo; e as mais jovens, vítimas de exclusão social". Capucha assevera que "não houve, nos últimos anos, um verdadeiro esforço na educação para adultos", já que "fomos apenas às franjas mais fáceis". "E estas pessoas acabam excluídas do mercado e vão pesar depois na proteção social", alerta.

Falhamos na perspetiva

Gonçalo Xufre, presidente da Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP), admite que "o país tem falhado em encarar isto como um grande problema", mas salvaguarda que "o Qualifica tem como objetivo chegar até esta população", embora não esteja nada desenhado ainda.

"Primeiro, teremos de identificar esta população, e, depois, teremos de construir ofertas, em conjunto com as escolas e as freguesias, para esta pessoas", afirmou.

Ao JN, o ME garantiu que, "no âmbito do Plano Nacional de Reformas, o Governo está a preparar medidas que flexibilizam os programas de competências básicas" e que "também o Qualifica prevê abranger este segmento da população". Só não especificou como.

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