
Paulo Novais/Lusa
Marcelo Rebelo de Sousa anunciou este sábado, no Porto, que o grande desafio de Portugal para a próxima década é crescer acima dos 2%. E atribuiu o mérito exclusivo pelo cumprimento da meta do défice aos portugueses.
"A concretizar-se a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, não se trata da vitória de nenhum governo, de nenhum presidente, ou partido ou politico, mas dos verdadeiros heróis desta saga: os portugueses, e só eles", disse.
Presente pela primeira vez no 13º congresso da UGT, que começou este sábado no Coliseu do Porto, o presidente da República afirmou que a Europa tem de perder o medo e de viver condicionada apelas pelos atos eleitorais.
"A Europa e, nela a União Europeia (UE), constitui uma das componentes essenciais da nossa política externa, tal como da nossa política interna. Queremos uma UE unida, coesa, forte, moderna, avessa a radicalismos ditos populistas, a racismos, a xenofobias, a intolerâncias, a exclusões", afirmou, num discurso de 15 minutos, precisamente no dia em que se assinalam 60 anos sobre a assinatura do Tratado de Roma que deu origem à UE.
"Acreditamos numa UE livre e defensora da liberdade, democrática e defensora da democracia, da transparência, da proximidade aos europeus, criadora de riqueza e de emprego, promotora de mais coesão social e territorial, de mais justiça entre pessoas, grupos e estados. Não nos resignamos a uma UE a crescer pouco, a deixar avolumar injustiças, a afastar-se das pessoas, a perder peso no mundo, a aparecer mais como passado do que como futuro."
Marcelo apelou ao fim da intolerância dos líderes europeus. "É precisamente por sermos europeístas que não cedemos nem ao ceticismo daqueles que nunca acreditaram na criação da Europa, ou não acreditam hoje na sua afirmação, nem ao negacionismo dos que querem mais Europa mas não vêem, porque não querem ver, que para isso tem de haver mais proximidade nos europeus, mais antecipação, mais iniciativa, mais capacidade de liderança - a começar nos sistemas políticos dos estados membros e a acabar nas instituições comunitárias.
Referindo-se à maratona de eleições que esperam a Europa neste ano, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que o ano não pode continuar a ser vivido "como que em aflição constante, eleição após eleição, campanha após campanha, na expectativa de que as vozes da inclusão europeia não vinguem". E continuou: "Por cada resultado lisonjeiro há como que um alívio momentâneo à espera do desafio seguinte", defendendo uma alternativa.
"Este modo de viver da UE e na UE não é aceitável. Não é aceitável que o normal em democracia, que são as eleições, passe a representar o pavor dos partidos e dos políticos. Não é aceitável que a mobilização perante o ideal europeu seja apenas por causa das eleições e em cima das eleições. Não é aceitável que se olhe para o dia-a-dia em vez de se olhar para o médio e longo prazo. Não é aceitável considerar as teses e as personalidades adversárias ou críticas como a causa e não como a consequência. Consequência de apatia, displicência, atrasos, incompetências, de distanciamentos".
"Ser-se a favor da UE, hoje, é ser-se muito mais exigente na definição e execução atempada de estratégias que a reforcem, que a revitalizem, que a tornem mais presente por atos e não por palavras na resolução dos problemas concretos das pessoas de carne e osso que nela devem acreditar. Vivemos na área do globo onde ficam apesar de tudo as sociedades com mais elevado indicador de desenvolvimento humano do mundo.
Como é possível desbaratarmos esse ativo humano único, perdendo peso universal e credibilidade interna?", questionou.
Num discurso de 15 minutos, que foi uma ode à Europa, o chefe de Estado pediu o regresso aos princípios fundadores da UE. "O dia de hoje, que assinala os 60 anos do arranque deste projeto de paz, solidariedade, progresso económico e abertura universal, tem de ser um dia virado para o futuro mais do que para o passado. De esperança mais do que resignação, de recomeço mais do que de fim do caminho."
