O Sindicato dos mineiros considerou que a demissão do ministro da Economia "peca por tardia" e acusou-o de ter mentido quinta-feira no Parlamento quando disse que foram criados 130 postos de trabalho nas minas de Aljustrel.
O ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, "faltou várias vezes à verdade aos trabalhadores das minas de Aljustrel e aos portugueses, por isso a decisão de se demitir só peca por tardia", disse à agência Lusa o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), Jacinto Anacleto.
"Todos os timings que o ministro estabeleceu para a retoma da actividade nas minas de Aljustrel não foram cumpridos e os postos de trabalho prometidos e anunciados não foram criados", lembrou o sindicalista, para justificar "as mentiras e os enganos" de Manuel Pinho.
"Ainda ontem [quinta-feira], no Parlamento, o ministro voltou a faltar à verdade quando disse que foram criados 130 postos de trabalho nas minas de Aljustrel", disse Jacinto Anacleto.
Segundo o sindicalista, desde Fevereiro deste ano, quando a I'M SGPS comprou a concessionária das minas de Aljustrel, a Pirites Alentejanas (PA), que então tinha "104 trabalhadores", "com o rigor dos números, foram criados 70 postos de trabalho".
"A PA admitiu 28 trabalhadores e o empreiteiro, que está a trabalhar nas minas desde Junho, admitiu 42. Tudo somado dá 70 postos de trabalho e não 130", precisou Jacinto Anacleto, referindo que "actualmente trabalham 174 pessoas nas minas de Aljustrel".
Os números do STIM convergem com os do administrador-delegado da PA, Arménio Pacheco, que, na quinta-feira, garantiu à Lusa que estão a trabalhar nas minas de Aljustrel "cerca de 200 pessoas, entre quadros, colaboradores, empreiteiros e empresas de projectos".
Jacinto Anacleto disse ainda que o STIM "não vai desistir de saber os termos e as condições do negócio da compra da PA pela I'M SGPS".
Manuel Pinho demitiu-se quinta-feira do cargo de ministro da Economia após ter dirigido um gesto inconveniente ao líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, durante o debate do Estado da Nação, no Parlamento.
O gesto de Manuel Pinho - dois dedos indicadores encostados à cabeça, simulando chifres -- foi dirigido a Bernardino Soares durante uma intervenção do líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, que falava sobre os trabalhadores das minas de Aljustrel.
Durante o debate entre o primeiro-ministro, José Sócrates, e Francisco Louçã, Bernardino Soares disse, num aparte, que Manuel Pinho esteve em Aljustrel "a passar um cheque" à equipa de futebol local, como explicou mais tarde aos jornalistas.
Em entrevista à SIC Notícias, quinta-feira à noite, Manuel Pinho justificou o gesto que fez no Parlamento referindo que se sentiu atingido na sua honra quando Bernardino Soares "estava a fazer graçolas" com a sua intervenção para salvar os postos de trabalho dos mineiros de Aljustrel.
Manuel Pinho acrescentou que recorda com agrado ter conseguido salvar os 100 postos de Trabalho que existiam na PA e de ter contribuído para a criação de outros 130.
