Nacional

Passos diz que não será preciso cortar salários nem fazer despedimentos

Passos diz que não será preciso cortar salários nem fazer despedimentos

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou, este sábado, que fez as contas e está em condições de garantir que não será preciso cortar salários nem fazer despedimentos para consolidar as finanças públicas portuguesas.

"Nós calculámos e estimámos e eu posso garantir-vos: Não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro", afirmou Pedro Passos Coelho, no encerramento do fórum de discussão "Mais Sociedade", no Centro de Congressos de Lisboa.

O PSD quis "vasculhar tudo" para ter contas bem feitas e, "relativamente a tudo aquilo que o Governo não elucidou bem", procurou "estimar", preferindo fazê-lo "por excesso do que por defeito", referiu.

"Não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro, mas temos de ser efectivos a cortar nas gorduras", completou Passos Coelho.

Segundo o presidente do PSD, o valor do défice de 2010, revisto "em muito poucas semanas de 6,8 para 8,6 e de 8,6 para 9,1", é na verdade de "10,2 por cento" do Produto Interno Bruto (PIB).

Portanto, Portugal terá de fazer uma redução "de 10,2 para 4,6 por cento" este ano, o que implicará "medidas muito mais duras" do que as contidas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) chumbado em Março pela oposição no Parlamento, o chamado PEC IV, acrescentou.

"A verdadeira situação do país é muito pior e a 'troika' que está cá a nosso pedido sabe isso. E por isso é que as medidas que vamos ter de enfrentar são muito mais duras do que as que estavam no PEC IV, porque a verdadeira situação do país é muito pior", disse Passos Coelho, que defendeu que o problema não foi o chumbo do PEC IV.

"O PEC IV chumbou porque não servia e não respondia a nenhum dos problemas importantes que Portugal tem à sua frente. Se ele tivesse sido aprovado no Parlamento hoje a sua certidão de óbito já tinha sido passada por um PEC V e já íamos a caminho de um PEC VI", sustentou.

Para Passos Coelho, a solução é "austeridade para o Estado" e quem lidera deve dar o exemplo, "porque isso tem um efeito multiplicador muito importante em toda a sociedade", o que só poder ser feito "mudando a liderança em Portugal".

"Eu não sei quantos ministros precisam de carro com motorista, para eles próprios, para os seus secretários de Estado, para os seus adjuntos, para os seus assessores, para os assessores dos seus adjuntos. A verdade é que no dia em que todos eles dispensarem as altas gamas em que andam e tiverem carros mais acessíveis aqueles que estão abaixo deles perceberão que têm de fazer mais sacrifícios", considerou.

"E os que estão abaixo desses, nos institutos públicos, nas fundações públicas, nos serviços do Estado perceberão que se o que está em cima na hierarquia é mais frugal, percebe que não pode andar a gastar o dinheiro do sacrifício dos cidadãos sem ter um assomo de consciência, nesse dia esses também vão gastar menos, vão poupar mais e vão fazer melhor com menos. E é isso que vale na nossa sociedade. Esse é o poder do exemplo", reforçou.

O presidente do PSD afirmou ainda que recusa ser "primeiro-ministro a qualquer preço" e aconselhou quem quiser "TGV, mais autoestradas, mais amiguismo e mais batota" a votar no PS de José Sócrates.

Na sua intervenção, o presidente do PSD demarcou-se do PS em matéria de obras públicas, criticando a ideia de "manter a loucura do TGV e de não sei quantas autoestradas" e também "de não sei quantas obras supérfluas que, ainda se está para ver, a Parque Escolar anda a realizar".

"Sim, não tenha o primeiro-ministro nenhum problema, a Parque Escolar. Não, não, o PSD não é contra a escola pública, é contra o investimento sumptuário, que não é exigível por critérios de grande rigor. Muitas das escolas que estão a ser feitas hoje nunca terão condições para pagar as rendas à Parque Escolar que a exorbitância dos investimentos exigiram. Para podermos ter em Portugal qualidade na educação e boa escola pública não precisávamos destes investimentos", acrescentou Passos Coelho.

Recomendadas

Conteúdo Patrocinado

Outros conteúdos GM