
Esta posição foi logo alvo de críticas nas redes sociais por deputados de outras bancadas.
Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
A bancada comunista absteve-se, esta sexta-feira, no voto de condenação pela perseguição de gays na República da Chechénia.
O PCP foi o único partido a romper o consenso parlamentar contra os campos de concentração para os homossexuais, alegando que não é "possível confirmar os factos invocados".
A posição comunista foi logo alvo de críticas nas redes sociais por deputados de outras bancadas. A mais violenta foi da socialista Isabel Moreira, que depois de ter feito uma cara de estupefação na bancada do PS, acusou o PCP de conivência com estes atos de violência.
Apresentado pelo Bloco de Esquerda, o documento contou com o apoio do PSD, PS, BE, CDS, PEV e PAN, à exceção dos comunistas, que anunciaram uma declaração de voto.
Ao contrário do que habitualmente leva a que os partidos não votem em determinados textos uns dos outros, o voto de condenação bloquista não contém nenhum teor considerativo à exceção de condenar "a perseguição à comunidade LGBT [lésbicas, gays, bissexuais e transgénero] pelo Governo da República da Chechénia" e apelar "à libertação de todos os cidadãos presos".
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"Foi noticiado, em vários órgãos de comunicação social internacional, que o Governo da República da Chechénia, região autónoma integrada na Federação Russa, terá aberto um campo de concentração para população LGBT", refere o texto, que acrescenta que, "segundo relatos de vítimas e denúncias de grupos russos de defesa dos direitos humanos, dezenas de homossexuais foram detidos e mantidos em cativeiro num antigo quartel militar na cidade chechena de Argun, onde são torturados por espancamento e com recurso a choques elétricos". "Até à data, foram registadas três mortes", refere o BE.
Por outro lado, o deputado comunista Miguel Tiago não deixou de apontar, também no seu perfil naquela rede social, que os bloquistas se basearam em "fake news [notícias falsas] do Facebook". É uma "acusação que surge apenas em jornais ocidentais", garante.
https://www.facebook.com/miguel.tiago.16/posts/10212723101737447?pnref=story
Após a votação, não faltaram acesas reações de deputados de outras bancadas nas redes sociais. No Facebook, a deputada socialista Isabel Moreira escreveu que, "mais de 50 anos depois anos depois do nazismo", o "PCP votou, isolado, abstendo-se". "Não posso deixar de registar este horror. O PCP que enche a boca contra o nazismo, foi hoje conivente com quem afirma que não há perseguições de gays na Chechénia 'porque não há gays na Chechénia'".
A explicação do PCP não esteve em falta muito tempo, pela mão da deputada Carla Cruz, que realçou a posição do partido contra todo o tipo de discriminação e a "defesa intransigente de todas as liberdades". Contudo, para os comunistas as notícias a que o BE alude ainda não foram confirmadas.
Este ponto de vista foi depois extensamente defendido por Miguel Tiago, que referiu que o "BE apresentou um voto na Assembleia da República com base em notícias do Facebook e não tentou verificar com a fonte". "A LGBT Network - a fonte da denúncia de perseguições a homossexuais na Chechénia - não se refere a nenhum campo de concentração e nem sequer tem certeza sobre a origem institucional de todas as perseguições". "O voto do BE acusa e condena a região chechena por ter erguido um campo de concentração para homossexuais, acusação que surge apenas em jornais ocidentais e no Facebook", defende.
Refira-se que estes campos de concentração tem levado a apelos da comunidade internacional, principalmente à Rússia, tendo em conta que o presidente da Chechénia, Ramzan Kadyrov, é apoiado por Vladimir Putin, que há muito tem fechado os olhos à violação dos direitos humanos levados cabo naquela república do Cáucaso, de maioria muçulmana.
