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Portugueses são os mais tristes da OCDE

Portugueses são os mais tristes da OCDE

"Vou andando. Podia estar melhor". As respostas repetem-se nos cumprimentos diários. Os portugueses são pessoas insatisfeitas com a vida, com tendência para a vitimização.

Sabemos disso e até nos gabamos dessa forma de estar quando explicamos o fado a estrangeiros. Os estudos internacionais validam-no. Somos os mais tristes entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). Na questão sobre a satisfação com a vida, numa escala de 0 a 10, os portugueses estão num nível de 5,1, "a taxa mais baixa da OCDE", diz o relatório ontem divulgado, cuja média está nos 6,5. Pela positiva, o país apresenta o índice de homicídios bem abaixo da média (0,9 contra 4,1), residências apetrechadas com casa de banho (99%) e qualidade do ar e água igualmente positivas. Tudo o resto - educação, saúde, trabalho - está abaixo da média. O apoio social também deixa muito a desejar: 85% das pessoas acreditam conhecer alguém com quem poderiam contar num momento-limite, um valor abaixo da média (88%).

"Somos o país do fado e temos um povo que alimenta essa tristeza", diz Ana Ornelas, psicóloga clínica. "Nas conversas, raramente dizemos que está tudo bem. "Lá se vai andando"". A explicação poderá ir buscar-se à história, à Inquisição, à subjugação do Estado Novo, aponta. As dificuldades económicas acabam por acentuar o mal-estar. "Da experiência que tenho, os motivos de sofrimento já estão lá, os problemas económ,icos põem-nos é em evidência, deixam-nos a descoberto. E havendo insuficiência económica, temos menos ferramentas para resolver problemas".

O relatório lembra que a média de riqueza por família per capita em Portugal ronda os 26 500 euros, bem menos do que os 77 700 da média dos países estudados.

Ana Ornelas está convencida, porém, de que os portugueses estão a conseguir, aos poucos, escapar ao tom derrotista. "Até os fados já se fazem mais alegres".

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