Sondagem

PS próximo da maioria absoluta e PSD perto de mínimo histórico

PS próximo da maioria absoluta e PSD perto de mínimo histórico

O PS cresce à custa dos partidos de Esquerda (BE e PCP) e Direita (PSD e CDS), diz sondagem da Universidade Católica para o JN.

Um ano depois de estrear uma solução de Governo inédita e controversa, António Costa passa com distinção o teste da opinião pública. Se as eleições fossem hoje, segundo uma sondagem da Universidade Católica, os socialistas ficariam muito próximos de uma maioria absoluta (43%), crescendo tanto à custa dos partidos de Esquerda que apoiam a "geringonça" (BE e PCP), como à custa da oposição à Direita (PSD e CDS).

De acordo com a barómetro do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica para o JN, o DN, a Antena 1 e a RTP, o PS ganha nove pontos percentuais relativamente ao último inquérito, realizado em dezembro do ano passado, poucos dias depois de António Costa ter sido empossado primeiro-ministro. Relativamente aos resultados das últimas eleições legislativas (outubro de 2015), o salto é de 11 pontos percentuais. Os atuais 43% de estimativa de resultados eleitorais quase igualam os 45% com que António Costa se estreou nas sondagens da Católica, em outubro de 2014, pouco depois de tomar o poder no PS e afastar António José Seguro.

Os resultados dos socialistas estão em linha com a avaliação que os portugueses fazem do primeiro-ministro: consegue uma nota de 12,3 e 81% de avaliações positivas, feito que Passos Coelho, enquanto chefe do Governo, nunca igualou. Costa só é ultrapassado na avaliação dos portugueses por um estratosférico Marcelo Rebelo de Sousa.

Os únicos travões a uma possível euforia socialista resultam, quer do elevado número de indecisos - 21% contra os 15% de dezembro do ano passado -, quer do facto de os "outros partidos" (os que não têm representação parlamentar) marcarem apenas 2%, quando nas últimas Legislativas somaram 5,5%. Ora, "em contexto de eleições, seria de esperar uma subida dos partidos com menos visibilidade, o que provavelmente implicaria uma descida do PS", explica João António, do CESOP da Católica.

Esquerda perde mais

Quando se analisa a soma dos resultados dos partidos que formam a "geringonça", os resultados também são positivos: dos 51% de votos conseguidos nas eleições do ano passado, passam agora para uma estimativa de 57%. Mas essa não é necessariamente uma boa notícia para o BE e para o PCP.

Se é certo que os socialistas mostram potencial para roubar votos à Esquerda e à Direita, não é menos que bloquistas e comunistas perdem mais do que PSD e CDS, quando se comparam os resultados desta sondagem com os votos das últimas Legislativas: os dois partidos da Direita perdem, em conjunto, "apenas" dois pontos e meio, enquanto BE e PCP perdem quatro pontos e meio relativamente a outubro de 2015 (e quatro relativamente à última sondagem). Sendo que o fenómeno é mais agudo para os comunistas, que perdem mais de dois pontos (um relativamente à última sondagem). Um desgaste que parece confirmar os resultados do barómetro de dezembro do ano passado, que dava conta de que era entre o eleitorado comunista (por comparação com socialistas e bloquistas) que havia um menor entusiasmo com a solução governativa a que se tinha chegado.

Relativamente aos partidos da Direita, a principal conclusão deste estudo é que foram claramente ultrapassados pelo PS, perdendo cinco pontos relativamente à última sondagem (dois pontos e meio relativamente às eleições legislativas). Por outro lado, se se comparar com a última vez que foram testados em separado (sondagem de outubro de 2014), ambos crescem dois pontos: o PSD de 28% para 30% e o CDS de 4% para 6%.

FICHA TÉCNICA

Esta sondagem foi realizada pelo CESOP-Universidade Católica Portuguesa para o Jornal de Notícias, a Antena 1, a RTP e o Diário de Notícias nos dias 19 a 22 de novembro de 2016. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezoito freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até que os resultados eleitorais das últimas eleições legislativas nesse conjunto de freguesias (ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma) estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o próximo aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 977 inquéritos válidos, sendo 57% dos inquiridos do sexo feminino, 34% da região Norte, 23% do Centro, 29% de Lisboa, 6% do Alentejo e 8% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e das estimativas do INE. A taxa de resposta foi de 70%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 977 inquiridos é de 3,1%, com um nível de confiança de 95%.

* A taxa de resposta é estimada dividindo o número de inquéritos realizados pela soma das seguintes situações: inquéritos realizados; inquéritos incompletos; e recusas.

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