Carvalho da Silva

Entre a lama e os alçapões

O verão é um período de poucas notícias, mas este ano não está a ser o caso. Há um denso noticiário em torno de tragédias, com realce para a dos fogos florestais, temos mais lutas sociais dando origem a algumas notícias e é ainda significativo o espaço especulativo a propósito de alguns processos judiciais. No entanto, o debate político que acompanha a agenda noticiosa revela-se muito pobre, o que não afiança nada de bom para o futuro próximo.

Carvalho da Silva

A Altice e o antiemprego

A Altice construiu um enorme império internacional, de França aos EUA, num muito curto espaço de tempo, através de uma estratégia de aquisições que se serve de mecanismos perversos da financeirização da economia e tem o endividamento como instrumento fundamental. A Altice beneficiou do ambiente de baixas taxas de juro dos últimos anos para a maior expansão da sua breve história. Utilizando sociedades veículo endivida-se junto da banca internacional e de fundos de investimento para financiar as suas aquisições.

Carvalho da Silva

Da noite para o dia

No início de 2016, podíamos ter esperança, mas não sabíamos se Portugal iria resistir ao autêntico assédio da União Europeia e de outros credores contra a nova maioria parlamentar e respetiva solução governativa e, por arrasto, contra o país. As interrogações dos portugueses perante uma solução nova e inovadora e, acima de tudo, as cargas de desconfiança que a Direita e Cavaco Silva colocavam na "geringonça" traziam para a sociedade uma perspetiva de possível falhanço.

Carvalho da Silva

Há muito a repensar

Portugal precisa e pode encetar um rumo seguro de desenvolvimento. Em primeiro lugar, se não nos iludirmos com positivos resultados conjunturais alcançados, uns em resultado de medidas políticas acertadas, outros por meros efeitos de conjuntura externa ou interna que a qualquer momento podem alterar-se, como é o caso das políticas do BCE, ou das modas no turismo; em segundo, encarando com verdade e determinação bloqueios acumulados ao longo de décadas e tratando o "lixo" atirado para debaixo do tapete por governos do "arco da governação", como é o caso de grandes questões do ordenamento territorial e florestal; em terceiro, promovendo debate político aberto e frontal entre todas as forças sobre cada um desses bloqueios e sobre soluções - com participação efetiva dos cidadãos e de organizações e instituições representativas, em vez de solicitações a "entidades independentes" - evitando consensos de fachada que, nas mais diversas áreas e tempos, têm demonstrado servir para iludir os cidadãos e alimentar o centrão de negócios e interesses.

Carvalho da Silva

EDP: pública por natureza

A oposição entre Estado e mercado marca, em boa medida e com regularidade, o debate político e mediático. Mas esta é uma falsa oposição, já que não existem mercados sem a intervenção direta do Estado, efetivada através do aparelho regulatório ou das infraestruturas que o último garante aos agentes privados que atuam em cada mercado. Contudo, existem bens e serviços com propriedades materiais tais e/ou de tal forma essenciais ao funcionamento das nossas sociedades, que a sua provisão é ainda mais exigente, necessitando de uma intervenção pública que vai muito para além do enquadramento das relações mercantis. O caso mais saliente dos últimos anos foi o do setor bancário, alvo de inúmeros "resgates". Aprendemos que a banca privada não pode falir, sob risco de arrastar a restante economia consigo, dada a importância da moeda e do sistema de pagamentos.