O "Jornal de Notícias" completa hoje 129 anos e podia dar-nos aquela ponta de nostalgia que sobra das celebrações de aniversários. Afinal, é o lastro dos anos que se levam, a memória dos dias e a lembrança de quantos tornaram possível a história de uma instituição como este JN.
Os leitores, destinatários e razão primeira do nosso trabalho, haveriam de condescender em que olhássemos orgulhosos no retrovisor. Aí, onde invocamos o legado de cinco gerações de jornalistas, fiéis à sua e nossa terra, à região e ao país. E aí onde, ainda e sempre, percebemos que são os laços de confiança e credibilidade na relação com os que nos leem que fazem deste nosso um grande jornal nacional.
Sim, somos um jornal centenário, mas de olhos postos no futuro. Como esta edição de aniversário, planeada e produzida com a ajuda de dezenas de miúdos na pele de jornalistas, a interrogar a realidade e a sonhar amanhãs.
Mas sobretudo porque somos, já hoje, a marca de comunicação portuguesa com a maior comunidade de seguidores nas redes sociais, mais de 2 milhões só no Facebook, e a disputar permanentemente a liderança em todas as plataformas digitais, em especial nos dispositivos móveis: só em maio, o nosso JN.PT registou mais de 23 milhões de visitas únicas e 121 milhões de pageviews (páginas vistas), em todos os cantos e acentos, a toda a largura, na geografia da Língua Portuguesa.
Sim, somos um jornal centenário, um dos maiores no papel, mas também um exemplo de jornalismo multimédia e interativo, que não alinha no coro das carpideiras, temerosas do novo mundo eletrónico que está a mudar as nossas vidas. É um erro pensar que a tecnologia é inimiga do jornalismo. Ao contrário, o mundo digital rompe barreiras. Nunca como hoje houve tanta informação disponível. Nunca como hoje houve tanta gente a consumir informação ou com capacidade para isso. Nunca como hoje houve tantos suportes disponíveis para difundir ou consumir informação. Queixamo-nos então de quê?
Na era da pós-verdade e da proliferação de fake news (notícias falsas), reafirmamos o primado do jornalismo e o valor da nossa marca. A caminho dos 130 anos, continuaremos a acertar o passo com a História, mas sempre fiéis às nossas causas de sempre. Contra o centralismo, a miséria, a ignorância, a inveja e a tirania. Mas também contra as desigualdades e na afirmação da solidariedade inclusiva com os menos favorecidos. Não há jornalismo sem jornalistas. Os canais e os meios mudam, mas não a nossa forma de fazer jornalismo: procurar a notícia, decidir se é relevante, contrastá-la com rigor, contá-la bem e publicá-la com liberdade. É aqui que estamos, todos os dias. Consigo!
