O início da campanha eleitoral, que coincidiu com acontecimentos internacionais do maior relevo, como sejam a vitória do Syriza na Grécia, o impasse europeu na resolução dos problemas dos migrantes e a eleição de Jeremy Corbyn para a chefia do Partido Trabalhista britânico, impõe a todos nós uma reflexão.
Aquilo que parece sobressair especialmente deste conjunto de factos é o esgotamento dos procedimentos políticos habituais, bem expressa na incapacidade da União Europeia resolver um problema humano e político de enormes dimensões, na impossibilidade de os trabalhistas moderados, fortemente apoiados nos media e think tanks pararem a onda Corbyn e na debilidade da Nova Democracia para reconquistar os gregos.
Paralelamente, verifica-se que quem usa novos argumentos e pede uma nova política tem sucesso. Assim acontece com Corbyn, em quem as pessoas encontraram claramente uma nova forma de fazer política e de falar com os eleitores, que vai muito para além do discurso plástico, produto de consultores mediáticos, que deixam os políticos a falar uns com os outros, sem qualquer atenção à vida real que está lá fora.
Em Corbyn encontram, também, a demonstração de que o pernicioso argumento da inevitabilidade não é real e de que existem alternativas que merecem, pelo menos, ser ponderadas.
Todos estes movimentos, conjugados com aqueles que ocorrem nos Estados Unidos onde, à direita, populistas como Trump e Carson são favoritos e, à esquerda, alguém - Bernie Sanders - que se apresenta como socialista, o que normalmente o limitaria a 2 ou 3 por cento dos votos, começa a ameaçar seriamente Clinton.
Também os americanos se mostram fartos dos políticos tradicionais e dos clãs dinásticos (Bush e Clinton).
Tudo isto dá que pensar e cria a convicção de que, como sucede nos jogos de ténis, chegou o momento das bolas novas, porque as usadas nos anteriores oito jogos perderam validade.
*ADVOGADO E DOCENTE UNIVERSITÁRIO
