O Jogo ao Vivo

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Francisco Seixas da Costa

Realismo e juízo

Haverá alguém, no seu perfeito juízo, que acredite que o qualificativo dado por Wolfgang Schäuble a Mário Centeno - "o Ronaldo do Eurogrupo" - é algo mais do que uma arrogante "boutade"? Só alguma saloiice lusitana é que acha que a "teoria económica" da "geringonça" é vista com admiração nos círculos preponderantes no Eurogrupo. É claro que eles podem achar curiosos os resultados obtidos, mas ninguém os convence minimamente de que tudo não decorre de um acaso pontual. Para eles, trata-se apenas de um "desenrascanço" conjuntural, fruto de alguma acalmia dos mercados, do efeito das políticas temporalmente limitadas do BCE, do salto das exportações (que entendem nada ter a ver com a ação do Governo), do surto do turismo (por azares alheios e sorte nossa, como o "milagre do sol"), bem como do "pânico" da Oposição em poder ver Passos & Cia de volta, desta forma "engolindo sapos" e permitindo ao PS surpreender Bruxelas com o seu seguidismo dos ditames dos tratados. Ah! Eles também constatam que a política de estímulo do consumo acabou por não ser o "driver" anunciado do crescimento. E que tudo o que foi feito está muito longe das imensas reformas que eles consideram indispensável, nomeadamente no regime laboral e nas políticas públicas mais onerosas para o OGE (Saúde, Educação, Segurança Social, Fiscalidade), por forma a promover uma redução, significativa e sustentada, da dívida. É assim uma grande e indesculpável ingenuidade estar a dar importância à "boca" do cavalheiro alemão!

Francisco Seixas da Costa

Um Governo nacional

Em 2012, François Hollande disse querer ser um presidente "normal", quiçá para afirmar um pretendido contraste com Nicolas Sarkozy, que, com aquele estilo "coelho da Duracell", cansara e irritara profundamente a França. Hollande acabou por ser apenas um presidente banal, que ficou muito aquém daquilo de que o seu país necessitava, contribuindo, em paralelo, para um imenso descrédito da Esquerda socialista que ele reconduzira ao poder. Curiosamente, a Direita não foi capaz de cavalgar esse estilhaçar do adversário, envolvendo-se em guerras de alecrim e manjerona, dando, no final, uma imagem "affairiste" de si própria, que, por pouco, não abriu espaço a uma tragédia.

Francisco Seixas da Costa

Informações

Os serviços de informações são indispensáveis para a defesa dos interesses dos países, na ordem interna e externa. Nenhum Estado passa sem eles, porque as ameaças à sua segurança são permanentes e há que habilitar quem tem responsabilidades políticas com dados que permitam tomar decisões para a proteção desses interesses. Pela sua natureza, os serviços - que não são polícias - têm de ser discretos no seu trabalho de pesquisa, o que induz frequentemente suspeições e alimenta teorias conspirativas. E têm de ser independentes, desde logo dos meios económicos e, tanto quanto a razoabilidade e as leis da vida o permitem, dos meios políticos, para que a ciclicidade democrática não comprometa a sua funcionalidade.

Francisco Seixas da Costa

Grau zero

"Osenhor não tem o monopólio do coração", lançou Giscard d"Estaing a François Mitterrand, com maestria, no debate presidencial de 1974. Qualificado de "candidato do passado", Mitterrand retorquiria a Giscard, em 1981, que ele era "o candidato do passivo". Mais um septenato decorrido, o mesmo Mitterrand, presidente recandidato, calaria o seu "challenger", o primeiro-ministro da maioria hostil, Jacques Chirac, quando este sublinhou que ali não estavam um presidente e um primeiro-ministro, mas apenas duas pessoas com estatuto idêntico, com o soberbo: "Tem toda a razão, senhor primeiro-ministro". Chirac começaria a cair aqui.