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O intencional e negro paralelo entre o SNS e a CGD

O intencional e negro paralelo entre o SNS e a CGD

É chocante a disparidade entre responsabilidade médica e bancária. Quando um médico erra, o doente sofre e o risco de penalização disciplinar, civil e penal do médico é bem real. Nenhum médico se pode desculpar com um "erro de avaliação" do doente!

Quando um banqueiro erra, desculpa--se com um "erro de avaliação" e nada acontece! Porém, para o Estado injetar dinheiro na Banca, milhões de pessoas sofreram gravemente e muitos portugueses não tiveram uma assistência médica correta por causa dos impostos e dos cortes na saúde.

Se observarmos bem, há um paralelismo negro entre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a Caixa Geral de Depósitos (CGD). A única diferença é o nível de responsabilização profissional.

Repetidamente, ouvimos sucessivos ministros da Saúde afirmar que, "para garantir a sua sustentabilidade", é necessário combater o desperdício e a má gestão no SNS. Contudo, são essencialmente chavões para distrair as atenções dos graves problemas de subfinanciamento e da deliberada estratégia de esvaziamento do SNS.

Segundo os dados da Pordata, relativamente aos gastos anuais totais em saúde, de 2000 para 2015 a despesa pública em saúde passou de 70% para apenas 65%. No mesmo período de tempo, a despesa das famílias com a saúde aumentou de 2687 para 4392 milhões de euros/ano, um brutal aumento de 64%.

Na Alemanha, na Holanda e na Suíça, um em cada cinco euros gastos pelo Governo são alocados aos cuidados de saúde, enquanto em Portugal é apenas um euro em cada nove. Em consequência, os primeiros três países gastam cerca de 20% do Orçamento do Estado na saúde, enquanto Portugal só gasta 12%.

Assim, Portugal emagrece compulsivamente o SNS, facilitando o caminho aos grandes grupos privados da saúde, com igual prejuízo dos pequenos prestadores privados. Portugal é dos países da Europa que mais sobrecarregam as pessoas com despesas de saúde, ou seja, um dos menos solidários a este nível.

Curiosamente, na CGD assiste-se a um medonho paralelo desta estratégia de destruição do setor público, transferindo despesas e encargos para os já depauperados cidadãos.

A CGD teve perdas de 1859 milhões em 2016 e de 3835 milhões nos últimos seis anos. "Para garantir a sua sustentabilidade", até 2020 vão ser dispensados 2218 trabalhadores e fechados 181 balcões, com um impacto dramático na economia nacional e nas pessoas. Ainda nos estarão reservadas mais más surpresas bancárias para o futuro?

Assim, numa estratégia sem condenações, também a CGD vai ser artificialmente emagrecida, abrindo mais espaço para a Banca privada.

O que aconteceu na CGD foi um vergonhoso assalto dos partidos do arco do poder e dos seus amigos ao pecúlio e aos elevados salários e reformas da CGD, com empréstimos ruinosos sem garantias adequadas.

E nada acontece aos responsáveis pelos "erros de avaliação"?

MÉDICO

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