1. O ministro do Ambiente acabou de vez com a expectativa dos moradores de Muro, na Trofa, há 14 anos à espera do metro. Não que tivessem pedido coisa alguma a alguém. Foi-lhes prometido, no dia em que houve decisão superior de suprimir o comboio até à Trofa, em troca pelo novo meio de transporte: o metro de superfície. Aconteceu em fevereiro de 2002. Fechavam as linhas da CP da Póvoa e da Trofa para permitir a construção, no mesmo espaço, das respetivas de linhas de metro. Os milhares de passageiros passaram a fazer o percurso em velhos autocarros, a partir do Viso, no Porto.
Em março de 2006, o metro começa a circular na antiga linha da Póvoa. Os moradores da Trofa continuaram a fazer o transbordo no Viso. A Trofa, é verdade, está servida pelos comboios através da linha do Minho. E é também verdade que a necessidade do metro não será tão premente como noutros concelhos do Grande Porto - como a ligação a Vila d"Este, em Gaia, e ao centro de Gondomar.
Só não se percebe como a Assembleia da República vota favoravelmente a proposta do PCP de conclusão da Linha da Trofa e, na semana seguinte, o ministro da tutela dos transportes afirme, numa entrevista ao JN, que o que falta da linha 3, três quilómetros entre o Ismai e Muro, não será construído. Não há dinheiro. E os estudos indicam que a população não estaria interessada em usar esse meio de transporte.
Ainda bem que o disse, com clareza. Só não se percebe o papel dos deputados do PS no Parlamento. Por que razão votaram a favor? Não há diálogo entre o Governo e o grupo que o apoia na Assembleia da República. Ou o voto foi mero oportunismo político?
2. A Câmara de Lisboa vai substituir por relva os brasões florais da Praça do Império, que replicam as armas das cidades capitais de distrito do país e das antigas cidades do Ultramar. Mais uma vez, os elevados custos de manutenção são o argumento. Os responsáveis da autarquia deviam lembrar-se do seguinte: os jardins fronteiros aos Jerónimos extravasam o património da cidade, são um pouco de todos os portugueses. E, não devem esquecer, o património, mesmo o que nos recorda a violenta ditadura portuguesa, é uma boa forma de transmitirmos a história. Não olhamos para os padrões florais como um elogio ao nosso passado colonial. Mas são uma marca desse tempo. Que não devemos apagar - por nós, pelas gerações vindouras.
* EDITORA-EXECUTIVA-ADJUNTA
