Muitos se recordarão da frase da campanha de Ramalho Eanes às presidenciais de 1976 "Muitos prometem, Eanes cumpre" - um lema feliz que procurava realçar a integridade do candidato e que, no fundamental, cumpriu.
Recordo esse lema de há 40 anos porque, hoje, assisto a mais uns episódios da prática assumida, em inúmeras situações, pela administração central: "Os contratos não são para cumprir".
Vem isto a propósito da notícia que li no JN e que cita o comandante da PSP no Porto, o superintendente chefe Miguel Mendes, que diz que, desde 2012, perdeu 200 efetivos, sendo que o número de polícias está ao nível de 2000. Leio isto e recordo-me da discussão sobre o encerramento de esquadras, medida que nos foi vendida com a garantia de que isso permitiria aumentar o número de polícias nas ruas. Na verdade, as esquadras foram encerradas (diminuindo o sentimento de segurança que a proximidade das mesmas dá às pessoas), mas mais polícias nas ruas, pelos vistos, foi coisa que não aconteceu... Em particular, a antiga freguesia de Cedofeita viu encerrarem diversas esquadras, com a promessa de abertura de uma superesquadra nas instalações da Junta de Freguesia, que seriam transferidas para outro local. De facto, num processo pomposo que envolveu o então ministro Miguel Macedo, o presidente da Câmara Rui Moreira e a assinatura de um protocolo, a verdade é que as esquadras encerraram e da nova não há notícias...
Mas este caso não é, infelizmente, único. Recordo-me, por exemplo, do Metro do Porto. Os autarcas, que constituíam a maioria acionista da empresa Metro do Porto acordaram, com o Governo, transferir essa maioria para a administração central. Como contrapartida, o Governo comprometia-se a fazer um conjunto de investimentos que permitiriam ampliar a rede. Mal se apanhou com a maioria do capital, o Governo esqueceu rapidamente os seus compromissos e, a propósito da "crise", meteu os investimentos na gaveta. Sendo que quem mais sofreu foi a população da Trofa, que tinha um comboio para o Porto cuja linha foi desativada para construir o metro e que, agora, nem comboio nem metro....
Ou o caso das fusões das freguesias. Todos recordamos que o grande objetivo era o de "ganhar massa crítica", ou seja, aumentar a dimensão das freguesias para, depois, ser possível transferir para as mesmas mais e mais relevantes competências. As freguesias fundiram-se, num vergonhoso processo administrativo imposto de cima para baixo, sem ter em conta as caraterísticas dos territórios e das suas gentes e desprezando as vontades dos seus autarcas. Mas novas competências nem vê-las...
Por isso, com a administração central já não basta a palavra, nem a assinatura, nem mesmo o cheque. Exijam numerário!
ENGENHEIRO
