Foi sob este título que um conjunto de seis personalidades publicou na passada sexta-feira uma interessante reflexão no jornal "Público".
E independentemente das discordâncias que tenho face às posições que, individualmente, os seus autores foram tomando ao longo dos anos e das responsabilidades que algum deles possam até ter no estado em que o país se encontra, esta é uma reflexão que deve merecer a atenção dos portugueses que verdadeiramente se preocupam com Portugal, com a sua soberania e com o seu papel no Mundo.
Reflexão que parte do óbvio: a atual União Europeia não tem nada a ver, nos seus princípios, com aquela a que aderimos em 1986. No que diz respeito à limitação (usurpação?) da soberania dos estados; no que diz respeito à (falta) de democracia do seu funcionamento, onde a lógica de "diretório dos poderosos" se sobrepõe aos órgãos democráticos; no que diz respeito à resposta aos problemas com que se debate, de que as recentes decisões do Conselho Europeu sobre os refugiados são uma inadmissível evidência.
Simultaneamente, o texto reflete sobre Portugal que soçobra numa fragilidade económico-financeira, com uma dívida soberana com um "peso insuportável". Que assiste, sem indignação evidente, à "iberização" do sistema bancário, que se traduzirá na perda, pelo país, de mais um instrumento fundamental da sua soberania.
Terminando com algumas reflexões sobre "o que fazer", em que o enfoque se traduz em opções de "alianças internacionais". Dentro da UE (mantendo a política de obediência cega à Alemanha ou explorando a "opção sulista"). Ou, mantendo essa ligação à UE, mas afastando-se das políticas integracionistas/federalistas (admitindo, neste contexto, o cenário da "saída negociada e calendarizada do euro") e explorando a sua "vocação" transatlântica.
Parece-me que esta reflexão, fazendo um diagnóstico interessante da nossa atual situação de mero peão no xadrez internacional, reduz o campo das alternativas à componente geoestratégica (talvez o objeto final dessa reflexão), não indo ao âmago do problema. Mas a verdade é que o momento que o país, enquanto Estado (cada vez menos) soberano, atravessa deve motivar reflexões e... mobilizações.
