Por compromissos antes assumidos, não pude participar na manifestação em defesa da escola pública que se realizou no sábado em Lisboa.
Assim, e porque me revejo nessa causa, procurei estar atento às notícias para saber como tinha corrido e, em especial, o grau de mobilização conseguido, num dia de sol e com jogo da seleção nacional ao fim da tarde (a que muitos dos que se deslocaram de longe até Lisboa não puderam assistir...).
Mas, confesso-o, essa minha busca por notícias sobre a manifestação em si transformou-se, rapidamente, numa constatação da diferença de critérios jornalísticos no tratamento desta manifestação em comparação com a cobertura que foi feita da manifestação que, no dia 29 de maio, juntou, com toda a legitimidade, os defensores da escola privada com financiamento público.
Vejamos alguns exemplos, baseados apenas na Imprensa escrita dita de "referência", dado que não tenho dados nem memória das coberturas radiofónicas e televisivas (neste caso, o JN fez uma leitura equilibrada da iniciativa).
O "Público", avança na capa, sem foto, com "Manifestação pela escola pública junta alguns milhares de pessoas em Lisboa". Lendo no dicionário o significado do pronome "alguns" vejo que é sinónimo de "poucos". Logo no "Público", jornal onde a propósito da manifestação dos colégios, o título da capa era, sobre gigantesca foto, "Depois da multidão dos colégios...", reforçado por "segundo organizadores, 40 mil pessoas juntaram-se em frente ao Parlamento". "Multidão", diz o mesmo dicionário, é um substantivo que significa "grande número"...
Já o DN, que relativamente à manifestação dos colégios, titulou a foto da capa com "Colégios mobilizam 40 mil contra Governo", opta, relativamente à manifestação em defesa da escola pública, por não fazer qualquer referência na capa... (embora no interior diga "Esquerda unida na rua pela defesa da escola pública", não tendo "descoberto" que na manifestação dos colégios a Direita esteve unida em defesa da escola privada...)
Bem sei que isto não é o fundamental. Em termos de opinião pública, a batalha em defesa do fim dos contratos de associação quando há escolas públicas, nas imediações, com condições para acolher os alunos, é uma batalha que está ganha. Porque toda a gente entende que os dinheiros públicos devem, prioritariamente, ser canalizados para a escola pública.
Mas não deixa de ser curioso constatar que dois jornais ditos de "referência" tenham tão escandalosa parcialidade na cobertura deste importante tema. Como diria o realizador Michael Moore, "Tenham vergonha!"
*ENGENHEIRO
