Odirector executivo do Viseu Digital (Pedro Paraíso), um projecto que permite a aproximação dos cidadãos à rede de comunicação e informação digital, criado em dezembro de 2002 e sustentado por dinheiros públicos, aufere um ordenado bruto de 6900 euros por mês. E o director administrativo e financeiro( José Tavares), que só está a meio tempo, 3100 euros.
Valores que foram alvo de duras críticas, ontem, pelo candidato do CDS-PP à Câmara de Viseu, Luís Caetano, durante uma entrevista concedida à rádio Noar, onde criticou a falta de trabalho realizado pelo Viseu Digital. "Existe há quase três anos e não se vê nada. Os cidadãos ainda não usufruíram absolutamente nada desse projecto", disse.
Marina Leitão, presidente da Comissão Executiva da Lusitânia - Agência de Desenvolvimento Regional, a entidade promotora do Viseu Digital, confirma ao JN os montantes dos vencimentos, mas desmente a crítica da falta de trabalho.
"O salário ilíquido é de 6900 euros, mas o líquido, aquele que nós efectivamente pagamos, é de 4 mil", explica a dirigente, que também é vice-presidente da Câmara de Tondela, e que fala em "desonestidade", "jogo baixo e feio" e em "espírito tortuoso" do candidato.
"O projecto é um modelo a nível nacional, está muito activo e tem taxas de execução acima dos 100%. Já apresentámos o "Dão Digital", que facilitará a comercialização do vinho da região e dará a conhecer nacional e internacionalmente todas as informações relacionadas com a sua produção e consumo; fomos escolhidos, pelo ISCTE, para desenvolver um trabalho na área da prevenção e combate aos fogos florestais; estamos com um projecto de rede intra-camarário, um sistema que vai dinamizar a informação e a comunicação entre 16 câmaras e 128 edifícios municipais, através de tecnologias em fibra óptica", enumera Marina Leitão, que diz que o Viseu Digital "é um projecto fundamental para o desenvolvimento da região de Viseu".
"Dizer que não se fez nada, só por maldade", acrescenta a dirigente, que fala em contas transparentes. "Estão todas aprovadas pelo Conselho Fiscal e pela Assembleia Geral. Nunca houve nada a apontar", lembra a presidente da Lusitânia.
