Na abertura do ano judicial, o processo de inquérito sobre alegadas irregularidades entre a Câmara de Felgueiras e o já extinto Futebol Clube de Felgueiras, do qual a presidente da autarquia já foi constituída arguida, em 24 de Novembro, vai passar, mais uma vez, para as mãos de um novo procurador-adjunto do Ministério Público (MP) da comarca. Serafim Carneiro, que tinha o processo em mãos, acaba de ser transferido para Barcelos; recebera-o de António Carvalho, que foi o primeiro magistrado a trabalhar no caso.
O certo é que é aguardada há mais de um ano a eventual acusação, até porque a investigação da Polícia Judiciária (PJ) de Braga, que resultou em inquérito, foi entregue já em Julho de 2005.
O JN tentou ouvir o procurador da República de Guimarães, Pinto Bronze, que é quem tem a última palavra sobre o despacho final, a propósito da morosidade da decisão, mas o magistrado encontra-se ainda de férias, até ao próximo dia 7.
Amanhã, dois novos procuradores-adjuntos deverão apresentar-se na comarca de Felgueiras Pedro Loureiro, transferido de Celorico de Basto, e Isabel Madureira, de Murça. Provavelmente, será ao primeiro que Pinto Bronze entregará o processo, já que Isabel Madureira foi colocada como auxiliar.
As conclusões da investigação da PJ sobre as relações entre a Câmara e o FC Felgueiras durante quase uma década (1995-2003) apontam para indícios de corrupção, peculato e participação em negócio, apurou o JN.
Subsídios e terrenos
Em causa estarão subsídios e terrenos dados pela autarquia ao clube de forma ilegal, sendo que a Polícia Judiciária crê que uma parte significativa desses montantes foi para proveito próprio. Trata-se de cerca de 4,5 milhões de euros.
Entre os dez arguidos, Fátima Felgueiras e Júlio Faria (antecessor da autarca) são as principais figuras. Depois, contam-se ex-vereadores, do PS (José Sampaio) e do PSD (Manuel Faria, Fernando Lima e Aurélio Carvalho), e antigos dirigentes desportivos.
Entre os outros vários pontos da investigação, a Polícia Judiciária concentrou as suas atenções num empréstimo de 1,5 milhão de euros contraídos pela autarquia à Caixa Geral de Depósitos, destinado ao clube, impedindo-o, por via de uma cláusula legal, de receber subsídios da câmara durante 15 anos.
