98 bicicletas a apodrecer
num armazém do Fluvial
icaram bem na fotografia no primeiro Dia Europeu sem Carros, em 2000. Em 2003, numa parceria entre o Clube Fluvial Portuense, a Câmara do Porto e a Junta de Freguesia de Lordelo do Ouro, passaram o Verão entre o Largo do Calém e a zona dos Pilotos. São 98 bicicletas, que custaram cerca de quatro mil euros e que se encontram a ganhar pó, desde que "a Câmara do Porto terminou com a parceria e lançou outros projectos", referiu, ao JN, Neto Dias, da Director do Fluvial. A autarquia, por seu turno, lembrou que "as bicicletas que o Fluvial diz ter comprado, foram oferecidas pela Câmara Municipal do Porto".
Algures nas imensas galerias técnicas do Complexo Desportivo do Fluvial repousam as 98 bicicletas (eram 100, mas duas levaram sumiço), pintadas de verde e de branco.
"Na altura do primeiro Dia Europeu Sem Carros apresentámos à Câmara do Porto, então presidida por Nuno Cardoso, um projecto que previa a utilização de bicicletas na marginal, desde o nosso clube até ao Castelo do Queijo. Montávamos três ou quatro stands no percurso e tinhamos uma carrinha de apoio. A ideia agradou à Câmara, que subsidiou o projecto com cerca de 17500 euros", lembrou Neto Dias, presidente do Fluvial Portuense.
Fiscais "implicavam"
As bicicletas ganharam maior notoriedade, em 2003, quando voltaram à rua, baptizadas de "Flu's". Podiam ser alugadas num stand instalado no Largo do Calém. As primeiras pedaladas foram dados pelo então vereador do Desporto, Paulo Cutileiro, numa iniciativa organizada em parceria com a Câmara do Porto, a Junta de Lordelo do Ouro e uma empresa que emprestou o stand e matava a sede aos cicloturistas.
"Quando soube que as bicicletas estavam ali encostadas, perguntei ao Fluvial porque não eram utilizadas. E o clube respondeu que estava a pensar num projecto. Que durou apenas um ano. Em Setembro de 2003, tudo acabou e creio que o stand foi vandalizado durante um fim-de -semana. Mas é uma pena que as bicicletas não estejam a ser usadas na marginal", conta o actual presidente da Junta, Alberto Araújo Lima.
O dirigente do Fluvial lamentou o fim lento do projecto, que era "mais ambicioso, pois comprámos bicicletas aptas a circular por toda a cidade". "Manter a iniciativa implicava custos muito elevados, já que tínhamos de ter funcionários a tratar do aluguer dos veículos, mais uma carrinha de apoio. A própria autarquia começou a fazer concorrência, emprestando as suas bicicletas. No entanto, quando o novo Complexo Desportivo do Fluvial estiver concluído [no próximo ano], iremos refazer o projecto", referiu Neto Dias.
Apostado em fazer política
A Câmara Municipal do Porto, através do Gabinete de Comunicação, argumenta que não lhe compete pôr a andar as 100 bicicletas do Fluvial. "Depois de ter recebido, em 2001, terrenos municipais no valor de 10 milhões de euros, o Fluvial diz que a Câmara não apoiou a construção dos prédios. Depois de ter recebido as bicicletas, diz que a Câmara não as põe a andar. O Fluvial parece mais apostado em fazer política do que em fomentar a prática desportiva na cidade", concluiu fonte do Gabinete de Comunicação.
O projecto "Pedalar", iniciado em Julho do ano passado, no Complexo Desportivo do Monte Aventino, parece ter sido vítima do seu sucesso e não há bicicletas disponíveis. O JN confirmou que muitas (em número não quantificado) estão avariadas e que as restantes "estão emprestadas" por períodos de seis meses - o limite máximo de tempo durante o qual se pode andar com a mesma bicicleta. Recorde-se que o projecto arrancou com 150 bicicletas, que poderiam ser levantadas no Monte Aventino, todos os dias, entre as 9 e as 20 horas. Para um período de utilização de até dois dias, bastaria apresentar o cartão de contribuinte, a carta de condução ou o passaporte. Quando o utilizador tencionava usar a bicicleta por um período mais alargado de tempo (até meio ano), teria de passar um cheque no valor de 125 euros, que serviria como caução até o veículo ser devolvido.
