Oque têm em comum chapéus com penas de pavão, mobiliário, discos de vinil, borrachas e parafusos? Todos estes objectos podem ser encontrados na Rua do Almada, na Baixa do Porto, tradicionalmente conhecida como a "rua dos ferreiros", mas que tem vindo a adquirir um novo "espírito", que uns caracterizam como sendo alternativo e outros complementar .
Este sopro deve-se à emergência, nos últimos anos, de uma série de lojas inovadoras,orientadas para públicos específicos, na sua maioria associadas ao comércio "vintage". Jaime Garcia, proprietário, há dez anos, do armazém Pedras ePêssegos, vê, nas rendas baixas, aliadas a espaços amplos, o motivo para o estabelecimento das novas lojas na Rua do Almada. "Com estas lojas, não pode pagar-se muito. O aluguer barato atrai pessoas que querem montar negócios". Jaime explica, contudo, que "se sente já uma especulação nos preços de arrendamento".
O dono da Jorge Cardoso Roupagens, loja que assume o seu nome, admite que "a escolha da Rua do Almada foi propositada, devido a uma boa relação entre o custo da renda e o espaço". Além disso, teve "o 'feeling' de que o importante na rua é a possibilidade de coabitação de diferentes negócios. Há uma complementaridade muito maior do que possa pensar-se".
Para os comerciantes da rua, a substituição parcial das ferragens pelos novos estabelecimentos deve-se, principalmente, ao aparecimento de espaços comerciais de grandes dimensões. "As lojas de ferragens têm fechado devido à concorrência das grandes superfícies", defende Joana Torres, que trabalha há cinco anos na Borrachas Carli Plásticos, localizada no n.º 442, acrescentando que "a falta de estacionamento também afasta algumas pessoas da rua".
Todavia, o comércio ferrageiro ainda conserva alguma da dinâmica do passado. Francisco Pires, funcionário da Açometais, explica que, ali, "as coisas são mais baratas do que nas grandes superfícies" . Joana Torres destaca outra mais-valia das ferragens da Rua do Almada "Estas lojas têm tudo. Vêm pessoas de fora para comprar certas coisas".