Pequenas alterações nas rotinas diárias de cada pessoa, como o uso de transportes públicos, podem corresponder a uma diminuição significativa do fenómeno climatérico, argumenta o grupo intergovernamental de especialistas da evolução do clima (GIEC), que contou com 400 delegados de vários países, reunido em Banguecoque, Tailândia. Aspectos a ter em conta quando, segundo o relatório publicado ontem pelo GIEC, os próximos anos vão ser "cruciais".
Das medidas aconselhadas no relatório fazem parte o recurso aos transportes colectivos, em detrimento do carro próprio, a regulação adequada da temperatura nos escritórios ou nas casas climatizadas e até reduzir o consumo de carne. "Se as pessoas comessem menos carne, não só estavam a contribuir para uma alimentação mais saudável, como para a redução de emissões, geradas pela criação bovina", referiu o presidente do GIEC, Rajendra Pachauri. Segundo um especialista em questões energéticas, um quilo de bife corresponde a 3,7 quilos de dióxido de carbono.
Os especialistas, reunidos em Banguecoque, alertaram a comunidade mundial para a necessidade de uma mudança no actual estilo de vida. Mudanças não radicais, defende o co-presidente do grupo de trabalhos do GIEC "Não se trata de uma questão de sacrifício. É possível ter um estilo de vida pouco prejudicial para o ambiente, sem prejudicar a situação económica".
No entanto, as medidas devem ser tomadas o quanto antes, alerta o relatórios dos peritos. "Se nós continuarmos a fazer o que temos vindo a fazer, teremos problemas muito sérios", avisou Ogunlande Davidson, co-presidente do grupo. A aposta nas energias alternativas, o aumento das taxas dos automóveis e normas de construção mais rígidas são alguns dos passos indicados pelo GIEC a ser tomados pelos governos.
A questão dos custos destas alterações foi rebatida pelo grupo, considerando que há sectores onde as mudanças não implicam muitos gastos "O sector da construção é o que mais potencial tem para tomar decisões, com um custo muito reduzido". De acordo com as informações avançadas pelo relatório, cerca de 30% das emissões de dióxido de carbono em 2020 vão ser da autoria deste sector.
* Com AFP
