O Governo deve ter "coragem" e extinguir a assembleia distrital de Faro, um organismo "moribundo e inútil". O desafio é do presidente da Associação de Municípios do Algarve (Amal), Macário Correia. Em causa está o encerramento há cerca de seis meses do Museu Regional do Algarve por dívidas à EDP, que cortou o fornecimento de electricidade.
O museu é gerido pela assembleia distrital, entidade que, na prática, não funciona há cerca de dez anos. "Não tem pessoal, nem despesas ou encargos. Ou seja, só existe no papel", ironiza o representante dos autarcas da região. Macário garante que "já foi pedida a sua extinção a três governos. Todos eles embrulharam o caso e não o resolveram". Apesar da crise financeira que atravessa, a Câmara Municipal de Faro (CMF) já se mostrou disponível para pagar as contas da electricidade em atraso e assumir a gestão do espaço, mas fez uma exigência - a devolução dos 16 quadros do pintor algarvio que pertenciam ao espólio do museu e que foram distribuídos pela assembleia distrital a cada uma das autarquias da região. Macário Correia aplaude a iniciativa da CMF e concorda com o pedido de devolução dos quadros, sublinhando a importância da obra para o museu, criado em 1940. Com a extinção da assembleia municipal, o museu ficaria sob a alçada da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), uma vez que ambas as infra-estruturas estão instaladas no mesmo edifício. No entanto, a própria CCDR está disponível para celebrar um protocolo com a autarquia farense para que seja esta a assumir a gestão. "Todas as entidades regionais estão de acordo sobre esta matéria e querem resolver o problema rapidamente. Falta o Governo ter bom-senso e extinguir um organismo público que não serve para nada", exige o presidente da Amal, que espera que a solução chegue "em breve para que o museu possa finalmente reabrir as portas ao público".
