Política

Esquerda acusa ministra das Finanças de mentir e pede a sua demissão

Esquerda acusa ministra das Finanças de mentir e pede a sua demissão

PS, PCP e Bloco de Esquerda acusam a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, de mentir ao Parlamento a propósito dos contratos "swap" e defendem que a governante não tem condições para se manter em funções.

"Estamos a pedir a demissão desta ministra por razoes éticas", afirmou o líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, em conferência de imprensa no Parlamento, apelando ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para "apreciar a incompatibilidade ética desta ministra permanecer em funções".

Os socialistas consideram que Maria Luís Albuquerque "construiu uma monumental mentira" ao ter afirmado que, na transição de pastas do Governo anterior para o atual, não lhe foi passado qualquer documento sobre os contratos de risco financeiro "swap".

"Sabe-se agora que, no próprio dia em que tomou posse, 28 de junho de 2011, a então secretária de Estado do Tesouro e Finanças tratou do tema em encontro com o diretor geral do Tesouro e Finanças que, logo no dia seguinte, lhe deu a primeira informação solicitada sobre a matéria", frisou Carlos Zorrinho.

O líder parlamentar socialista acusou também Maria Luís Albuquerque de ter prestado "declarações intencionalmente inexatas impróprias de um membro do Governo da República" ao afirmar que o Governo anterior não tinha atuado para identificar o problema das "swap".

Governante "que mente ao Parlamento" não tem condições para continuar

No mesmo sentido, o deputado do PCP Paulo Sá declarou que um governante "que mente ao Parlamento" não tem condições para se manter no cargo. "Nesse sentido, exigimos a demissão de Maria Luís Albuquerque", disse.

De acordo com o comunista, os dados recolhidos nos últimos dias na comissão de inquérito aos contratos de risco financeiro (swap) "vêm confirmar de forma inquestionável que Maria Luís Albuquerque mentiu mesmo ao Parlamento".

O deputado defendeu que a ministra deve voltar a ser ouvida na comissão de inquérito e adiantou que irá propor na próxima reunião, segunda-feira, que Maria Luís Albuquerque seja ouvida até dia 31 de julho, quarta-feira.

"É imprescindível que essa audição ocorra agora, porque perante a gravidade dos dados que foram conhecidos nos últimos dias, a ministra tem que ser confrontada com as mentiras que fez aqui no início de julho", defendeu.

"Há escolhas que envergonham país e democracia"

Também o coordenador do Bloco de Esquerda (BE) afirmou, esta sexta-feira, que há escolhas para ministros e secretários de Estado que "envergonham o país e a democracia", frisando que a ministra das Finanças "tem sempre chegado atrasada à verdade".

"Por muito má que seja a lista de secretários de Estado, pior é a composição do próprio Governo", referiu João Semedo. "Temos falado insistentemente na indecência que é a nomeação de Rui Machete para ministro dos Negócios Estrangeiros", acrescentou, sublinhando que "há algumas escolhas que envergonham o país e a democracia".

"Nunca sabemos a verdade pela boca da ministra e uma ministra das Finanças que não fala verdade, que mente sobre as suas responsabilidades, não pode continuar a ser ministra", entende João Semedo.

O primeiro-ministro, Passos Coelho, manifestou quinta-feira "toda a confiança" em Maria Luís Albuquerque depois de a Lusa ter noticiado a existência de mensagens de correio eletrónico nas quais a ministra teve acesso a informação sobre contratos "swap" (gestão de risco) no setor empresarial público indicando uma perda potencial de 1,5 mil milhões de euros.

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