Depois de uma semana em que se mediu o pulso à nação, o fim da sessão legislativa empurra o país para uma aparente pausa na política. Entre o estado de exaltação do ciclo de crescimento por parte do primeiro-ministro, acusado de estar em negação, e o estado de empobrecimento em que a Oposição vê o país mergulhado, sobraram dias de sondagens a tentar quantificar e retratar o desencanto intuído nas análises mediáticas.
Entramos na antecâmara da Jornada Mundial da Juventude, o anunciado maior evento de sempre em Portugal, onde estarão focadas as atenções mediáticas. Para muitos portugueses a iniciativa passará ao lado, incapaz de captar a curiosidade até dos mais jovens, como revela a radiografia que hoje apresentamos. Além de procurar respostas para temas evidentes, como a habitação e o emprego, uma das curiosidades da sondagem é perceber que ligações com o que os rodeia estabelecem os inquiridos.
Se dois em cada três jovens assumem já ter feito voluntariado, é minoritário o grupo dos que alguma vez participaram em ações sociais ou políticas - 52% nunca o fizeram e entre os restantes a forma mais comum de ação é a assinatura de petições. Discute-se há muito o desinteresse dos jovens pela política, mas parece haver na análise (pouco aprofundada, é certo) um certo desconforto com a ação.
Há quem sonhe mudar o Mundo movido pela fé, pela ciência, pela política. São formas diferentes de esperança. O problema é quando o desencanto paralisa. Em tanta avaliação negativa a quem nos governa e aos serviços públicos (outra forma crucial de medir a vitalidade do Estado), sobra o risco de nos deixarmos vencer pelo cansaço, mais do que ir à procura de soluções. Ao Governo deve exigir-se, na próxima sessão legislativa, mais ambição e propostas para nos aproximar dos parceiros europeus. De cada cidadão espera-se exigência e participação. A crítica sem ação não muda o Mundo.

