
Atual presidente da Rússia, Vladimir Putin
Foto: Mikhail Klimentyev / POOL / AFP
A política independente russa Ekaterina Duntsova foi chamada ao gabinete do procurador local depois de ter declarado que pretendia concorrer às eleições presidenciais russas no próximo ano.
O presidente atual, Vladimir Putin, pretende prolongar o seu mandato até, pelo menos, 2030, nas eleições que se irão realizar em março de 2024 - uma corrida ao poder que, de acordo com grupos de defesa dos direitos humanos, não será livre nem justa.
Esta quarta-feira, Ekaterina Duntsova relatou à AFP que, depois de ter afirmado que se iria candidatar às eleições de 2024 e de ter criticado o atual regime, os procuradores de Rzhev, uma cidade a 200 quilómetros de Moscovo, chamaram a política de 40 anos para ser interrogada.
As autoridades afirmaram que uma das publicações de Duntsova nas redes sociais tinha "levantado algumas questões, nomeadamente comentários sobre guerra e paz" e a opinião "sobre o atual governo" e o que está a acontecer na Rússia, contou Duntsova à AFP.
Em publicações anteriores nas redes sociais, Duntsova explicou que as questões da "guerra e da paz" afetavam todos os russos e que o país estava "a afastar-se dos direitos e das liberdades, do amor e da paz, de um futuro bonito".
Qualquer crítica à campanha militar russa na Ucrânia é ilegal, ao abrigo das leis de censura aprovadas nos primeiros dias após o lançamento da ofensiva militar russa.
"Estamos todos conscientes de que, hoje em dia, qualquer linguagem relativa ao estado da operação militar especial pode ser interpretada de várias formas" , relatou a possível candidata à presidência, utilizando a linguagem aprovada por Moscovo para o ataque à Ucrânia.
Todas as grandes personalidades da oposição que tentaram desafiar Putin, que governa a Rússia desde 1999, foram banidas, presas ou exiladas.
Duntsova, ex-jornalista e antiga deputada municipal em Rzhev, admitiu que não estava iludida relativamente à sua hipótese de ganhar as eleições. Para se candidatar, tem de recolher 300 mil assinaturas de eleitores russos elegíveis. Até quarta-feira, tinha "mais de 10 mil".
"Quero acreditar que este é o caminho a seguir", concluiu.
