Existe desde sempre uma relação entre a enfermagem e a liberdade, pois considera-se não só o respeito pela autonomia e a dignidade da pessoa humana, mas também as liberdades do enfermeiro. Destaca-se o importante marco que foi a greve dos enfermeiros de 1976, existindo uma união que possibilitou a agregação de uma profissão dividida pelo tempo, mas que se destacava pelos cuidados exercidos.
A consciencialização profissional levou a uma nova afirmação da disciplina no final da década de 90, motivada pela criação da Ordem dos Enfermeiros e pelo estatuto de licenciado. Assim, os enfermeiros libertam-se de um círculo agregador que não permitia o desenvolvimento total da profissão e onde passam a adotar uma diferente conceção de cuidados, centrada nas pessoas e na realização do cuidado técnico e humanizado.
Os enfermeiros têm uma dignidade inerente e conferem valor em todos os domínios: nos cuidados, na gestão, na docência, na investigação e na política. A abordagem da liberdade na enfermagem é alicerçada nas normas éticas, deontológicas e legais, que devem acompanhar os enfermeiros no seu percurso pessoal e profissional. Esta conjugação que constitui este valor abraça a relação entre enfermeiros, utentes nos diferentes níveis de cuidados e comunidade em geral, o que permite um desenvolvimento de cuidados atento às necessidades individuais das pessoas. Assim, prevê-se que deverá existir um equilíbrio entre a ética do cuidado e a necessidade das liberdades.
Existem desafios éticos emergentes e imperativamente relacionados com o cuidar, como a tomada de decisões no início e final da vida, a escassez de recursos ou, por outro lado, as questões relacionadas com a evolução digital e eventual desumanização, entre outras, pois colocam aos enfermeiros a necessidade de refletir sobre os limites e a esfera de atuação na prática profissional, tendo sempre respeito pelo outro e apelando à dignidade da pessoa humana. Não obstante a necessidade da promoção das liberdades no cuidar, existe uma necessidade de trabalhar os direitos e os deveres associados, numa responsabilidade que se traduz de forma aberta e ponderada e numa prática mais humana, justa e ética.

