O braço de ferro entre médicos e Governo tomou proporções inusitadas. Nos últimos dias, multiplicaram-se os alertas de hospitais de todo o país. Porque estão a adiar cirurgias e consultas, para manter as urgências abertas; porque há especialidades que já desapareceram das urgências; porque, nos próximos dias ou semanas, e em várias regiões, será inevitável fechar as portas. Isto acontece porque os médicos estão a aderir em massa a uma nova forma de protesto: nem mais uma hora extra para além das 150 por ano a que estão obrigados. O ministro da Saúde fez uma concessão, mas fica a sensação de que não será suficiente. O que separa o Governo dos médicos vai muito para lá da possibilidade de escolher entre um horário semanal de 35 ou 40 horas. É importante lembrar, no entanto, que uma negociação pressupõe sempre cedências das duas partes. Não é aceitável que um conflito laboral ponha em causa a vida dos cidadãos. E é desse ponto que nos aproximamos. Talvez não fosse má ideia arranjar um mediador. O presidente da República, desde logo, que, sobre esta matéria, tem mantido um silêncio pouco habitual.
Portugal faz parte do trio de organizadores do Mundial de Futebol de 2030. Um Mundial fora do comum, uma vez que terá, no arranque, três jogos noutros tantos países da América do Sul (para assinalar o centenário do primeiro Mundial, em 1930, no Uruguai), mas, ainda assim, o maior espetáculo do Mundo. Para um pequeno país será sempre um momento marcante, mesmo que circunscrito às cidades do Porto e de Lisboa. E será assim, porque há uma outra boa notícia: ao contrário do Euro 2004, não serão construídos estádios inúteis (como esquecer os elefantes brancos de Aveiro, Coimbra, Leiria e Algarve). Não nos iludamos, no entanto, com as palavras de Gianni Infantino, líder da FIFA. O Mundial não é uma festa da coesão social e cultural. É um negócio.

