Mais de meio século depois do 25 de Abril, as famílias do Interior Norte de Portugal continuam a ser as mais fustigadas pela desigualdade económica. O centralismo, no nosso país, é um monstro com uma gadanha na mão, responsável pela canalização dos grandes investimentos para a capital e arredores e pela ausência de políticas eficazes de coesão territorial, apesar do esforço e dinamismo das CCDR e das autarquias. A concentração do desenvolvimento em Lisboa e no litoral, sempre impulsionada pelo poder central, tem deixado as famílias do Interior numa situação de fragilidade crescente, como atestam os dados do Instituto Nacional de Estatística ontem revelados pelo JN. Os empresários do Interior continuam a debater-se com a falta de incentivos à fixação de pessoas que, aliada às carências dos serviços públicos, contribui para a estagnação económica das regiões desfavorecidas. Sem oportunidades, os jovens continuam a sair do país ou a procurar o litoral em busca de melhores condições, deixando para trás uma população cada vez mais envelhecida e vilas vazias. É preciso que os decisores políticos transportem para a governação do país a mesma atenção que dedicam ao Interior durante as campanhas eleitorais. Gabam-se de visitar todos os concelhos, mas depois, no poder, não são capazes de implementar uma estratégia consistente para o Interior, o que tem contribuído para um ciclo de empobrecimento. Sem investimento público orientado e políticas de descentralização assertivas, o Interior continuará a perder relevância económica e social. A urgência de medidas que promovam a equidade territorial volta a estar em cima da mesa, numa altura em que até a forma como passarão a ser distribuídos os fundos europeus penalizará as regiões. Talvez os deputados da maioria relativa e bancadas amigas de ocasião prestassem um melhor serviço ao país se aprovassem à pressa um plano para o Interior, como fizeram com a imigração, mas dentro das balizas da Constituição.
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