Em 2030, as redes sociais mantêm-se no centro da vida pública em Portugal. Mas a forma como nelas habitamos mudou. A promessa de um espaço comum deu lugar a um território saturado e emocionalmente desgastante. O ritmo imposto – estímulo após estímulo – dificultou a permanência, o contraditório e a reflexão.
A resposta não foi o abandono, mas a procura por redes mais pequenas, organizadas em torno de afinidades reais e interesses partilhados. Espaços onde há tempo para conversar, onde o que se publica não desaparece num segundo, onde o contexto conta mais do que a reação. Foi uma transição silenciosa, mas reveladora: deixámos de querer estar com todos ao mesmo tempo – queremos estar com quem realmente importa.
Tal como aconteceu com os canais generalistas de televisão, também aqui a fragmentação foi um sinal de maturação. A audiência dissolveu-se em comunidades. O público transformou-se em múltiplas redes. Não foi isolamento – mas afinidade. E essa mudança não foi apenas tecnológica: foi cultural, relacional e emocional.
Portugal reagiu, juntamente com a Europa, dando mais atenção à literacia digital, elevando o debate da regulação funcional para a preservação do tempo e cuidado. Começou-se a falar de redes que respeitam o ritmo humano – e não apenas o da máquina.
Em 2030, o tempo das redes neutras acabou. Todos reconhecem que a sua arquitetura condiciona o que vemos, pensamos e sentimos. Escolher uma rede é escolher um modo de estar no Mundo.

