A vitória no passado domingo do Rassemblement National (RN) de extrema-direita na primeira volta das eleições legislativas em França coloca os partidos do chamado “arco republicano” em maus lençóis e com poucas possibilidades de êxito. Ou todos se unem na segunda volta no próximo domingo para derrotar o RN de Marine Le Pen, ou correm o risco de abrir caminho a um Governo de extrema-direita, o primeiro democraticamente eleito do país.
Tanto Macron como Jean-Luc Mélenchon estão a tentar construir uma chamada frente republicana, de forma a que, nos distritos onde existam três candidatos para a segunda volta, e um deles seja do RN, desista aquele que obteve menos votos na primeira volta de qualquer um dos restantes candidatos. A estratégia é concentrar os votos contra a extrema-direita num único candidato, e assim ter maiores probabilidades de o candidato de esquerda, centrista ou conservador conquistar o lugar.
Parece fácil, mas nesta frente republicana estão muitos eleitores do centro e da direita moderada, que terão maior tentação em votar na extrema-direita em vez das coligações mais à esquerda. Mélenchon, líder da coligação França Insubmissa, domina atualmente a esquerda, o que não agrada aos conservadores e, confrontados com a escolha entre Mélenchon e Le Pen, preferem não retirar o seu candidato.
O presidente Macron, que ficou em terceiro lugar, apelou a uma “união ampla e claramente democrática e republicana”. Mas também é certo que Mélenchon, com uma oposição destrutiva, afugentou o eleitorado mais moderado. Daí que Marine Le Pen tenha razões para sorrir, porque exigir que os centristas e os conservadores coloquem as diferenças de parte e apoiem quem conseguir vencer a extrema-direita é como pedir a um cego para ver.

