
José Sena Goulão/Lusa
Mais de uma centena de profissionais de saúde reuniram-se esta terça-feira à tarde em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, para reivindicar melhores condições para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), horários e salários dignos. "O SNS não pode esperar", diz a FNAM.
Oriundos de várias regiões do país, os profissionais de saúde, sobretudo médicos, juntaram-se em frente ao Ministério da Saúde, na Avenida João Crisóstomo, em Lisboa, e entre gritos e cânticos pediram ao Governo que salve o SNS e que haja melhores condições de trabalho porque “a saúde é um direito”.
A manifestação teve lugar no primeiro de dois dias de greve que coincide com o inicio da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Após 462 dias de negociações com o Ministério da Saúde, a Federação Nacional de Médicos (FNAM) apresentou uma contraproposta com medidas para a “recuperação da carreira médica e salvar o SNS”.
João Proença, vice-presidente da FNAM, afirmou ao JN que a taxa de adesão à greve é maior no Norte, onde “95% dos profissionais vão participar”, e que na região do sul “ronda os 50% até 75%”
Ana Abel está reformada e foi médica de ginecologia em diversos hospitais e centros de saúde em Lisboa. Esteve na manifestação porque “não se pára de lutar pelo SNS” e porque enquanto utente quer poder ter acesso a cuidados médicos dignos. E isso “começa pela valorização dos profissionais”, diz.
Tiago Batista, médico de família há 13 anos na USF de Viana do Castelo, chegou de madrugada a Lisboa para participar na manifestação e combater o “degradar progressivo, planeado e propositado do SNS”. Diz ainda que “não podemos almejar outra coisa que não seja a negociação séria” nem permitir ao Ministério da Saúde “desmantelar o SNS”. Considera que o Partido Socialista (PS) é um “dos herdeiros do SNS”, mas corre o risco de ficar conhecido como o “coveiro do SNS”.
As exigências da FNAM
A FNAM exige um aumento salarial de 30% desde a formação geral dos médicos, visto que a ultima revisão da grelha foi em 2012, durante o período da troika, com o Decreto-Lei n.º 266- D/2012.
Fernanda Silveira, psiquiatra em Évora trouxe um cartaz personalizado à manifestação, criticando a proposta avançada pelo ministro da Saúde que prevê um aumento de 1,6%, o que equivale 28 cêntimos por hora. É “quase uma humilhação pública”, diz, sobretudo vinda do “antigo ‘colega’, Manuel Pizarro”.
A FNAM reclama ainda a diminuição do horário semanal de 40 horas para 35 e a reposição das 12 horas semanais do horário normal em serviço de urgência. Rita Coelho, médica pediátrica no Hospital Dona Estefânia, diz que a profissão não lhe dá tempo para ter uma vida pessoal. Afirma ainda que “não é uma vida sustentável” e confessa que já considerou “ir para o privado ou para o estrangeiro” mas que não o faz por ter esperança “que as coisas mudem”.
A presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá afirma que os profissionais do SNS não querem “mais reuniões” ou “prolongar a situação” mas sim resolver a situação “de forma célere” e que “o SNS não pode esperar”.
Acusa ainda o ministro da saúde, Manuel Pizarro, de “falta de competência, diligência e vontade para resolver o problema dos médicos e do SNS”.
No dia 9 de agosto, quarta-feira, o ministro da Saúde voltará a receber os sindicatos dos médicos em duas reuniões, uma focada no decreto-lei que permitirá a generalização das Unidades de Saúde Familiar (USF) e outra da mesa negocial.
