Depois de décadas à sombra da ordem internacional liberal, que nos oferecia segurança e conforto económico, a União Europeia foi confrontada com uma nova realidade. O regresso de Trump ao poder trouxe uma onda de pessimismo sobre o futuro - condição que temos de desafiar, procurando oportunidades neste reposicionamento americano.
Assim, enquanto os EUA se preocupam em construir uma estância turística à beira-mar em Gaza (atropelando, pelo meio, os direitos fundamentais dos palestinianos), proponho que a UE assuma como objetivo tornar-se uma “Riviera” do conhecimento, ou seja, ser o principal destino para investigadores e quadros qualificados.
Para isso, a Área Europeia de Investigação - referida no caderno de encargos da comissária europeia para Startups, Investigação e Inovação - não pode ser uma proposta morna que harmonize duas ou três burocracias. Deve ser uma estratégia completa de retenção e atração de talento, que nos permita competir nos setores inovadores onde a Europa tem ficado para trás.
Precisamos de simplificar o acesso a fundos de investigação e ciência, reforçando também a fatia do investimento europeu nesta área. Ampliar o acesso ao visto “blue card”, para permitir a vinda de investigadores universitários em áreas como inteligência artificial, biotecnologia ou descarbonização. E descomplicar a relação entre investigação científica e aplicação comercial.
Uma das maiores dificuldades em toda a Europa é transformar a produção académica em mais competitividade. Ao criar uma “Riviera” do conhecimento, atraindo profissionais de todo o Mundo, nomeadamente dos EUA e com experiência neste processo de inovação, podemos quebrar essa barreira e criar uma rampa de lançamento para a economia europeia.
Se assim for, Portugal estará numa posição vantajosa. Temos um país seguro. Regimes fiscais atrativos, como o IRS para gerações mais jovens. E universidades e centros de investigação numa trajetória de valorização e reconhecimento - Aveiro, Minho e Porto são bons exemplos disso.
Pouco se conhece do novo Mundo que agora nasce, mas levamos connosco uma certeza: está na hora da Europa entrar na economia do século XXI. E a “Riviera” do conhecimento é só um primeiro passo.

