Há 60 anos aconteceu, para muitos historiadores, um dos eventos religiosos mais importantes do século XX: a viagem de Paulo VI à Terra Santa, de 4 a 6 de janeiro de 1964. Na oração do ângelus no último sábado, o Papa Francisco recordou essa viagem e destacou o encontro de Paulo VI com o patriarca ecuménico Atenágoras - líder da Igreja Ortodoxa - “quebrando um muro de incomunicabilidade que manteve católicos e ortodoxos separados por séculos”.
Foi a primeira viagem internacional de Paulo VI e a primeira vez que um Papa viajou de avião. Deu início a uma das atividades mais relevantes de um Pontífice: as viagens. Paulo VI também ficou para a história como o primeiro Papa a visitar os cinco continentes.
Essa sua primeira viagem teve ainda o condão de reforçar na Igreja Católica o diálogo ecuménico e a promoção da unidade dos cristãos. O Concílio Vaticano II, que decorria quando Paulo VI visitou a Terra Santa, encarregou de refletir e de o definir como um dos dinamismos a indicar aos católicos.
Esta foi uma das quatro prioridades de Paulo VI para o Concílio. As outras eram uma melhor compreensão da Igreja Católica, a sua renovação e o diálogo com o mundo contemporâneo.
Estes dinamismos que Paulo VI procurou implementar no catolicismo são aqueles que o Papa Francisco agora procura recuperar com a insistência numa “Igreja em saída”.
Vivem-se tempos em que se promove o medo em relação aos que são de outra cultura, raça, igreja ou religião. Que são classificados como os “maus”, para arregimentar os “bons”, seja para ganhar eleições ou para estimular o terrorismo ou a guerra. Hoje, como nunca, são precisos líderes como Paulo VI, mais preocupados em lançar pontes do que em erguer muros. Capazes de promover o diálogo e a reconciliação entre aqueles que se habituaram a odiar-se, porque a isso foram levados.

