É reconhecido o altíssimo valor científico das sondagens caseiras. Não deixam, contudo, de ser um indicador do estado de alma mais palpável de uma nação. Ao longo de dias passados numa Gronelândia propulsada para as bocas do Mundo pelas bocas imperialistas de líderes de uma nação alheia, é fácil perceber que o que move os gronelandeses é a sua soberania. Ponto final. Ninguém, em dezenas de conversas, sorriu perante a palavra Trump. Ninguém. Mas todos são capazes de perceber que o que move os outros são as riquezas deste paraíso gelado. As terras raras, a abundância de peixe. A segurança do Mundo? Não. A dos EUA menos ainda. Porque essa está garantida pela base militar instalada no norte do território, à entrada do estreito de Davis e do canal de navegação para navios vindos do Oriente graças ao degelo. Há cartazes encaixilhados nas paredes das casas. Dizem STOP. Kalaallit Nunaat é o nome inuite da ilha. E essa é a maior de todas as declarações de interesses: significa “A nossa terra”, “A terra dos gronelandeses”. E a força deles já conseguiu duas coisas: obrigar uma provocadora comitiva norte-americana a mudar de planos e reunir praticamente todo o espectro político num governo de coligação. Qujanaq, Trump. Acordaste um povo orgulhoso.
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