
Isto acontece depois de Trump ter ameaçado com acusações criminais e cortes de fundos
Foto: Ting Shen / AFP
O Departamento de Justiça dos EUA interpôs esta quinta-feira uma ação judicial contra a cidade de Chicago e o estado do Illinois, acusando-os de dificultar o trabalho das autoridades de imigração.
A ação - interposta num tribunal federal do Illinois - pede aos juízes que anulem e declarem inconstitucionais as proteções existentes a nível estadual e local que protegem os imigrantes sem documentos da deportação.
O Governo do Presidente Donald Trump alega que as “leis de santuário" – designação aplicada a políticas de autoridades locais para proteger imigrantes ilegais - na terceira maior cidade do país frustram os esforços federais para aplicar as leis de imigração.
O processo, que também implica o estado do Illinois, é o mais recente esforço para reprimir autoridades locais que limitam a cooperação entre os agentes federais de imigração e a polícia.
Isto acontece depois de Trump ter ameaçado com acusações criminais e cortes de fundos federais as cidades que são conhecidas como “cidades santuários”.
"A conduta das autoridades em Chicago e Illinois, aplicando minimamente — e muitas vezes frustrando afirmativamente — as leis federais de imigração ao longo de vários anos, resultou na libertação de inúmeros criminosos em Chicago que deveriam ter sido detidos para deportação de imigrantes dos Estados Unidos", pode ler-se na ação judicial.
Trump refere frequentemente Chicago e o estado do Illinois, que têm algumas das proteções mais fortes do país para os imigrantes.
Altos funcionários da administração visitaram a cidade no mês passado para intensificar a fiscalização da imigração e exibiram imagens do "czar da fronteira", Tom Homan, a fazer detenções na televisão em direto.
A abordagem agressiva e a retórica dura foram fortemente criticadas por atiçar medos nas comunidades de imigrantes e alimentar falsas alegações sobre crimes entre imigrantes.
Embora vários crimes violentos e de alto perfil envolvendo pessoas ilegalmente nos EUA tenham aparecido nas notícias nos últimos meses, não há nada que sustente a alegação de que isto acontece diariamente.
Estudos recentes revelam que as pessoas que vivem ilegalmente nos EUA têm menos probabilidade do que os norte-americanos nativos de serem detidas por crimes violentos, relacionados com drogas e propriedade.
Ainda assim, o sentimento e perceção de insegurança é a pedra basilar da agenda política de Trump.
O primeiro projeto de lei que assinou no seu novo mandato - que tem o nome do estudante de enfermagem assassinado da Geórgia, Laken Riley - exige a detenção de imigrantes ilegais acusados de roubo e de crimes violentos.
Os tribunais, no entanto, têm confirmado repetidamente a legalidade de toda a gama de “leis de santuário”, não permitindo que as autoridades locais interfiram ativamente nas operações federais.
