Pontes de(o) conhecimento fazem futuro – caminhar para 2026
Vésperas do novo exercício orçamental, aguardado sempre com grande expectativa, quero partilhar uma reflexão, uma esperança e uma certeza.
O próximo Orçamento do Estado, em que o país define o traçado futuro, parece estar envolto numa certa neblina, que ofusca as escolhas. A questão tem-se colocado muito sobre o aumento da despesa (ou investimento, diria) em Defesa. Ora, não pode existir qualquer dúvida de que esta área é hoje essencial para as soberanias, bem como também não podem existir reservas quanto à importância das alianças que preconizam (e preconizaram!) a salvaguarda da paz como um bem essencial. Este compromisso tem de ser seguido noutras áreas! E julgo que não há dúvida disso mesmo. Veja-se o caso do Ensino Superior, em que a nossa despesa total se tem situado em pouco mais de 1,1% (despesa direta do Estado próximo de 0,55%), enquanto a média da OCDE é superior a 1,4% (0,85%). Só o ajustamento da despesa do Estado representaria mais 900 milhões de euros. Um ano não possibilita o “acertar de bitola”, mas traça o caminho e permite assumirmos um contrato equilibrado a médio prazo.
Tendo em conta o seu relevo, há, contudo, mais uma ação que deve agregar-nos a todos, uma esperança que une o Ensino Superior e os seus agentes – aumentar ainda mais a ligação entre a formação superior e as necessidades das empresas e dos territórios, incrementando a capacitação dos cidadãos. Este caminho abre a porta à resiliência, valor essencial nos tempos que se avizinham, num ambiente geopolítico amplamente marcado pela incerteza. Consulte-se, a este propósito, o último relatório do Fórum Económico Mundial, Global Economic Futures: Competitiveness in 2030.
Alguns temas enformam os pilares do Ensino Superior e devem ser vistos como uma certeza neste início de caminhada, projetada já a partir dos próximos dias: 1) continuar o combate às desigualdades sociais enquanto mecanismo que limita o acesso e prosseguimento de estudos (ainda há!); 2) valorizar e rever o estatuto da carreira docente; 3) consolidar e fortalecer as relações com o tecido social e empresarial.
O caminho faz-se caminhando e com a certeza de que, com o contributo de todos, mesma à maneira de cada um, como refere Frédéric Gros, continuamos com confiança. Como se a cada ano o trajeto ainda agora começasse!

