
Portugal conseguiu colocar, esta quarta-feira, 1005 milhões de euros de títulos de dívida, mas os juros dispararam para os 5,902% na emissão a seis meses, o que corresponde quase ao dobro da taxa de juro paga pelo último leilão comparável (em prazo e montante).
O Instituto de Gestão do Crédito Público vendeu 1005 milhões de euros num leilão duplo de Bilhetes do Tesouro (BT), a seis e 12 meses. A maior parcela da emissão, de 550 milhões de euros, foi colocada no prazo de 12 meses, com uma taxa de juro de 5,117%. Já no leilão de BT que vence daqui a seis meses, foram vendidos 455 milhões de euros de títulos, mas a taxa pedida ascendeu a 5,902%.
Em ambos os casos, a taxa ultrapassou largamente o juro pedido pelos mercados nas últimas emissões comparáveis: a 2 de Março, num leilão de BT a seis meses, o Estado pagou 2,984% e a 16 de Março, numa emissão a 12 meses, o juro foi de 4,33%.
Ainda que o valor colocado, esta quarta-feira, tenha ultrapassado ligeiramente o montante indicativo, que era de mil milhões de euros, os analistas alertam que a taxa de juro pedida está em níveis "proibitivos". "Pouco falta para o Estado português estar a pagar por dívida a 1 ano o que não queria pagar a 10 anos [7%]", sublinha Filipe Silva, gestor do mercado de dívida do Banco Carregosa.
Numa altura em que os principais bancos privados têm dado indicações de que não poderão continuar a financiar o Estado, este leilão terá beneficiado da procura do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social e de alguns bancos.
O próximo leilão, também de curo prazo, está agendado para 20 de Abril.
