
A cirurgia de Miriam, realizada esta terça-feira em Miami, foi um sucesso e a perna não será amputada. Os portugueses solidarizam-se e contribuíram com cem mil euros para alegrar o Natal da família de Rio Maior.
"Correu tudo muito bem. A Miriam já teve alta", contou ao JN Conceição Marques, a mãe da menina de quatro anos que está a ser tratada nos Estados Unidos a uma malformação na perna direita. O sucesso da intervenção afastou o maior dos medos: a amputação da perna, conforme fora vaticinado em Portugal.
"Apesar das dores, a Miriam está muito bem disposta. Estamos no hotel, porque como ela tem espinha bífida, no hospital corria mais riscos de infeção", acrescenta a mãe.
A feliz notícia já tinha sido foi partilhada, na madrugada de quarta-feira, na página oficial de Miriam Aleixo no facebook. "Queridos amigos, graças às vossas orações, hoje houve uma legião de anjos a interceder pela Miriam: a cirurgia foi um sucesso e o Dr. Michael Tidwell disse que correu bastante melhor do que ele estava à espera!".
Apesar do sucesso da intervenção, o tratamento de Miriam ainda não está concluído. Todos os anos, enquanto estiver em processo de crescimento, terá de voltar ao Hospital Pediátrico de Miami, Estados Unidos, para fazer alongamento da perna.
Miriam nasceu prematura, de cesariana, de uma gravidez gemelar, a 28 de outubro de 2010. Matilde era saudável, mas Miriam apresentava graves problemas: espinha bífida, pé boto no membro esquerdo e malformações na mão (bridas amnióticas) e na perna direitas. Em Portugal, foi tratada em vários hospitais e todos os médicos, à exceção de um, aconselharam a amputação da perna direita. Inconformados com a fatalidade, os pais procuraram soluções fora do país.
Nos Estados Unidos, encontraram alguns hospitais que realizam tratamento cirúrgico conservador da perna. O pediátrico de Miami foi a unidade escolhida e, quando concluíram que do Sistema Nacional de Saúde não obteriam qualquer apoio financeiro, os pais iniciaram uma campanha para angariar os cerca de 50 mil euros necessários para realizar a cirurgia.
Foram precisos dois anos e meio para reunir a verba e, no fim de outubro, em vésperas de Miriam completar quatro anos, a família rumou a Miami. A 14 de novembro, a menina foi submetida a uma primeira cirurgia, bastante complexa, em que foi colocado um aparelho na perna, para provocar o estiramento dos tecidos. Esse aparelho foi agora removido, como atestam as fotos, do antes e pós operatório, publicadas pela família.
A maior complexidade da primeira intervenção obrigou a antecipar o procedimento cirúrgico, previsto apenas para o próximo ano. Eram necessários mais 50 mil euros. O apelo, urgente, foi lançado nas redes sociais e nos órgãos de comunicação social. Na quinta-feira passada, faltava mais de metade da verba necessária, mas a mãe mantinha a fé inquebrantável. No dia seguinte, a fé cumpriu-se.
A segunda cirurgia realizou-se, com pleno sucesso, anteontem. A família deverá ficar, pelo menos até ao fim do ano, em Miami para consultas.
