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Contactos dos conselheiros de Estado considerados de baixo risco

ARS de Lisboa e Vale do Tejo e DGS garantem que foram cumpridas todas as normas com o Conselho de Estado EPA

Autoridade de saúde está a determinar origem do contágio de Lobo Xavier e se ex-dirigente do CDS-PP contaminou alguém. Relatório será entregue à DGS.

As autoridades de saúde garantem que foram cumpridas todas as normas e tomadas as medidas "apropriadas" em relação à reunião do Conselho de Estado em que participou o ex-dirigente do CDS-PP António Lobo Xavier, quando já poderia estar infetado. A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT) está a ultimar o estudo epidemiológico. Ou seja, a avaliar a causa do contágio de Lobo Xavier e a rastrear todos os contactos dos conselheiros de Estado para apurar se alguém foi infetado.

"Foram tomadas as medidas que decorrem das normas e orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS)", garantiu, ao JN, a ARS/LVT. Ou seja, ninguém ficou em isolamento porque não se considerou que a reunião do Conselho de Estado tenha sido de alto risco. Isto apesar de a norma n.º 15 da DGS admitir como sendo de alto risco reuniões à porta fechada, com a presença de um infetado.

Recorde-se que o presidente da República e o primeiro-ministro, António Costa, participaram, na segunda-feira, na cerimónia do 5 de Outubro. Já Marques Mendes esteve, na terça-feira, na apresentação do livro de Cavaco Silva. Todos testaram negativo, e mantiveram as agendas. Para tal, terá pesado o facto de os conselheiros terem mantido uma distância superior a dois metros, como vincou Marcelo Rebelo de Sousa: "Dez metros não é alto risco, tendo feito três testes, negativos, estou numa situação em que não contribuo para o risco relativamente às outras pessoas".

"Medidas apropriadas"

A avaliação final do risco inerente àquela reunião vai ser concluída no inquérito epidemiológico que a ARS/LVT está a ultimar e poderá chegar hoje às mãos da DGS. No caso de se concluir pela situação de baixo risco, a norma n.º 15 não sugere a realização de teste. Indica que se deve controlar os sintomas e manter o distanciamento social.

"Após a identificação do caso positivo para covid-19 do conselheiro de Estado António Lobo Xavier, foi assegurada a investigação epidemiológica, pela Autoridade de Saúde, apoiada pela Unidade de Saúde Pública e, com base na avaliação de risco, foi aplicado o conjunto de medidas considerado apropriado", vincou a DGS.

Ainda nenhum infetado

Esta terça-feira, a ARS/LVT estava a concluir a identificação de todos os contactos dos conselheiros de Estado. Apenas o ensaísta Eduardo Lourenço não participou na reunião. O próprio Lobo Xavier revelou que lhe foi pedida "uma identificação exaustiva de todas as pessoas" com quem esteve durante a semana. "Até agora, nenhuma estava infetada", disse.

Ao JN, a ARS/LVT vincou que só o rastreio dos contactos vai permitir perceber como Lobo Xavier ficou doente e se a reunião do Conselho de Estado originou alguma "cadeia de transmissão", ou seja, se alguém contraiu a doença por contacto com o infetado.

Ursula von der Leyen sete dias em quarentena

Apesar de ter dois testes negativos, a presidente da Comissão Europeia (CE) vai cumprir, à mesma, uma quarentena de sete dias, por ser essa a regra na Bélgica. À conta disso, Ursula von der Leyen teve de cancelar a presença no plenário do Parlamento Europeu, na reunião de comissários e na cimeira com a Ucrânia. A presidente da CE fez um vídeo a dizer que está bem e a explicar a razão do seu isolamento.

Hermana Cruz