Edifício de 26,7 milhões de euros deverá estar a funcionar na totalidade até ao final do próximo mês. "Joãozinho" sai, ao fim de 12 anos, dos contentores.
No jardim, à entrada da nova pediatria do Hospital de S. João, no Porto, o escorrega e o jogo do galo indicam que aquele espaço é para os mais pequenos. Ao fim de 12 anos, o "Joãozinho" - nome atribuído à ala pediátrica que esteve a funcionar em contentores -, está a mudar de casa e vai fixar-se junto à urgência pediátrica daquela unidade hospitalar. Prevê-se que o edifício, de 26,7 milhões de euros, comece a receber doentes durante o próximo mês.
"Em novembro já vamos ter aqui as crianças", assegurou Fernando Araújo, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário de São João. A expectativa é a de que, até ao final do próximo mês, todo o edifício esteja a trabalhar.
"Vamos começar [por abrir] a área do internamento mais geral e acabaremos, no final do mês, com a área dos blocos operatórios. Queremos e estamos a fazer todos os esforços para cumprir o prazo e até, se for possível, antecipá-lo. Tenho total convicção de que vamos conseguir", reforçou.
"Condições únicas"
Os 100 quartos, bem como os blocos operatórios, aguardam a chegada de equipamento, enquanto por alguns dos corredores da nova ala pediátrica ainda prosseguem os trabalhos finais. Um dos pormenores do edifício mais destacado esta segunda-feira, durante uma visita à nova pediatria, que contou com Francisco Assis, presidente do Conselho Económico e Social, foi o espaço reservado para os pais nos quartos de isolamento.
Essa sala, referiu Fernando Araújo, acessível aos quartos por uma porta de vidro, além de oferecer "condições únicas de humanização", dá a possibilidade de, em alguns casos, os pais "poderem trabalhar à distância".
"Exemplo no país"
No final da visita, Francisco Assis, presidente do Conselho Económico e Social, aproveitou para manifestar o seu respeito "pelo trabalho extraordinário que foi desenvolvido por este hospital ao longo da pandemia". "Este investimento é a demonstração de que o Serviço Nacional de Saúde deve e pode corresponder às necessidades das pessoas", notou Francisco Assis.
Para Fernando Araújo, "este equipamento vai ser um exemplo no país e até lá fora sobre como se pode prestar cuidados de saúde a crianças e adolescentes".
A nova ala pediátrica terá cinco pisos mais dois subterrâneos, que se destinam a logística e apoio técnico.
No primeiro piso do edifício, onde é a entrada atual da urgência e de consultas, ficará uma área de reserva que poderá servir para uma futura expansão para consultas externas. Já no segundo andar, ficará a receção, o internamento geral (com 35 camas), gabinetes médicos e também a ludoteca (zona de lazer para as crianças). No terceiro piso ficará o internamento diferenciado.