Justiça

Amnistia pede a Portugal ajuda para família de ucraniano morto no aeroporto

Ihor Homeniuk morreu nas instalações do SEF, após ser espancado DR

A Amnistia Internacional Portugal pede ao Governo que ajude a família de Ihor Homeniuk, cidadão ucraniano morto no aeroporto de Lisboa por inspetores do SEF, a sair da Ucrânia perante o conflito vivido no país. A organização de defesa dos direitos humanos enviou, esta quarta-feira, uma carta endereçada aos ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Administração Interna.

Na carta endereçada a Francisca Van Dunem, a que o JN teve acesso, a Amnistia Internacional Portugal informa o Governo que teve conhecimento de que a família de Ihor Homeniuk pretende sair da Ucrânia e pede que Portugal seja uma alternativa para receber a família.

"Neste sentido, a Amnistia Internacional Portugal insta o Governo português a tomar as devidas diligências de forma a atender as pretensões desta família, realizando todos os esforços de forma que consigam sair do seu país de origem de forma segura e que Portugal seja disponibilizado como destino seguro".

A organização que trabalha em Portugal pela manutenção dos direitos humanos apela ainda aos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Administração Interna que considerem esta medida de apoio o mais rápido possível, tendo em conta a escalada de violência na Ucrânia.

Ao JN, o diretor-executivo da Amnistia Internacional Portugal refere que este auxílio surge num "contexto tão dramático, a uma família que perdeu o pai e marido". "Pedimos ao Governo, como uma medida de justiça e reparação da tragédia que aconteceu no aeroporto de Lisboa, que possa ajudar esta família se necessitar", sublinho Pedro Neto.

Ihor Homeniuk morreu em março de 2020 no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, após ter sido espancado por inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Duarte Laja, Luís Silva e Bruno Sousa, os três envolvidos na morte do cidadão ucraniano, foram condenados a nove anos de prisão pelo Tribunal da Relação de Lisboa. Os advogados vão recorrer da decisão para o Supremo Tribunal de Justiça.

Leia a carta na íntegra

Sara Gerivaz