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Míssil russo destrói cozinha solidária de chef espanhol em Kharkiv

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A cozinha solidária associada ao chef espanhol com duas estrelas Michelin, José Andrés, e à sua organização humanitária World Central Kitchen (WCK) foi destruída por um incêndio, depois de um míssil russo ter atingido, no sábado, a cidade de Kharkiv, na Ucrânia. O ataque deixou quatro trabalhadores feridos.

"Uma atualização que eu nunca esperei fazer (...) Hoje, um míssil atingiu-nos e quatro funcionários ficaram feridos. Esta é a realidade daqui - cozinhar é um ato corajoso e heroico", revelou Nate Mook, diretor-executivo da organização, no Twitter.

"A explosão foi tão grande que no início não percebemos o que estava a acontecer", disse um voluntário de 52 anos à France-Press. "Quando as paredes começaram a cair, sabíamos que tínhamos de sair". O ataque com o míssil provocou um incêndio em vários edifícios no centro, que se alastrou até à cozinha que distribuía comida grátis pelos habitantes de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, perto da fronteira russa.

24 horas depois do ataque, a WCK já está a preparar a próxima cozinha solidária em Kharkiv, de modo a dar resposta a todos aqueles que precisem de ajuda. "Hoje, a equipa do restaurante está a mudar todos os alimentos e equipamentos não danificados para outro local em Kharkiv", revelou Nate Mook.

A ofensiva russa lançou uma série de ataques a Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, ao longo de sábado. Segundo as autoridades locais duas pessoas morreram e outras 18 ficaram feridas em várias explosões na cidade. A apenas 21 quilómetros da fronteira com a Rússia, Kharkiv tem sido alvo de bombardeamentos constantes nos últimos dias, à medida que o Kremlin intensifica os ataques na região.

Sob o lema "Onde quer que haja uma luta para alimentar as pessoas, nós estaremos lá" e encarando a alimentação como um direito humano universal, o chefe espanhol, José Andrés, detentor de duas estrelas Michilen, criou em 2010 a "World Central Kitchen" - Central de Cozinha Mundial - após o catastrófico terramoto no Haiti, que provocou milhares de mortos e desalojados. Desde então, a organização já esteve na República Dominicana, Nicarágua, Peru, Cuba, Uganda e agora também na Ucrânia.

JN/Agências