Economia

Retoma da aviação pode surpreender e decidir sobre novo aeroporto é prematuro

Aeroporto de Beja podia servir os voos com escala Orlando Almeida / Global Imagens

A decisão quanto à localização do novo aeroporto de Lisboa não foi tomada durante 50 anos e agora, dizem os especialistas, não é a melhor altura para lançar a obra, porque é preciso ver que futuro terá a aviação e a TAP.

"Não sabemos muito bem como será esta retoma da aviação e o que é que poderá mudar a breve prazo", alerta Maria Baltazar, especialista em operações e gestão de aeroportos. A investigadora defende que, por agora, "Beja poderia muito bem funcionar para voos com escala, manutenção ou carga aérea, aliviando a Portela". Mesmo que as companhias aéreas não tenham interesse em aterrar no Alentejo, Maria Baltazar garante que, "se houver vontade política", há soluções para que a pista de Beja seja procurada. "Pode ter isenção de taxas, ligação a Lisboa sem portagens ou em autocarros do aeroporto para a capital, tudo depende dos incentivos", defende.

Debate recomeça

James Pearson, especialista em gestão de transporte aéreo, diz que "é razoável que os contribuintes tenham preocupações" com a eventualidade de o país ficar a braços com a despesa de um novo aeroporto se a TAP desaparecer. Não tem dúvidas que "outra companhia iria substitui-la e muitas outras ficarão muito felizes por crescer em Lisboa".

Mas alerta que "os aeroportos demoram muitos anos a desenvolver" e que a TAP também pode ser importante para fazer crescer a conetividade de Lisboa.

Depois de, há um mês, o ministro Pedro Nuno Santos ter anunciado uma decisão para Lisboa - Montijo para apoio, Alcochete para o futuro - e ter sido contrariado por António Costa na busca por um consenso alargado, o tema voltou ao debate político. Nem entre os especialistas há consenso.

Maria Baltazar prefere a Ota, o antigo presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Carlos Matias Ramos, defende Alcochete e um hub em Alverca é a aposta de José Proença Furtado, engenheiro responsável por estudos sobre o novo aeroporto de Lisboa. O debate continua.

A concessionária dos aeroportos deverá ser parceira na construção da infraestrutura, pois, assegurou ao JN, que, com o acordo que tinha feito há um mês, abdicaria da cláusula indemnizatória a que tinha direito se fosse construído novo aeroporto a menos de 75 km da Portela.

Maria Baltazar
Especialista Gestão Aeroportos

Erika Nunes