Mahsa Amini, de 22 anos, foi espancada dentro da carrinha da "polícia da moralidade", em Teerão, depois de ter sido detida por alegadamente não cumprir corretamente as regras do uso do hijab do país, na terça-feira. Três dias depois a jovem morreu no hospital.
Mahsa viajou da província ocidental do Curdistão até à capital iraniana para visitar familiares. Estava a passear na rua com o irmão quando foi abordada pela chamada "polícia da moralidade". Os agentes detiveram a jovem alegando que não estaria a respeitar as rigorosas regras de vestuário impostas às mulheres no país. Disseram que Mahsa seria levada para um centro de detenção local apenas para uma "sessão de reeducação" e, posteriormente, seria libertada. Hora depois, a família foi avisada que a jovem tinha sido levada para o hospital, em estado grave.
A polícia disse que Mahsa tinha sofrido um ataque cardíaco. No entanto, a família garantiu que ela era saudável e não tinha nenhum problema de saúde. Testemunhas no local, citadas pelo "The Guardian", garantem que viram a mulher a ser espancada na carrinha da polícia, uma acusação que as autoridades iranianas negam.
Depois de três dias em coma, a jovem acabaria por morrer na sexta-feira.
O véu é obrigatório para as mulheres iranianas desde a Revolução Islâmica de 1979 e os membros da "polícia da moralidade" garantem o cumprimento do rigoroso código de vestuário.
Mulheres debaixo de fogo no Irão
A morte de Mahsa acontece na sequência de crescentes relatos de atos repressivos contra as mulheres iranianas, algumas que chegam mesmo a ser impedidas de entrar em escritórios e bancos do governo devido ao rigoroso código de vestuário islâmico.
O presidente do Irão, Ebrahim Raisi, assinou um decreto no dia 15 de agosto, onde limitava ainda mais o vestuário feminino e definiu punições severas para quem violasse o código de vestuário, tanto em público como online.
A "polícia da moralidade" tem sido muito criticada nos últimos anos pelo tratamento repressivo e violento contra as mulheres, incluindo por vozes pró-governo. Um dos hashtags utilizados nas publicações das redes sociais que se manifestam contra esta autoridade traduz-se como "Patrulhas de Assassínio", segundo a BBC.
Ainda assim e de acordo com a agência de notícias estatal IRNA, o chefe de Estado iraniano pediu ao ministro do Interior, Ahmad Vahidi, que "investigasse as causas do incidente com urgência e atenção especial".