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Kuleba atribui ataques a desespero de Putin e cancela viagem a África

Dmytro Kuleba LEGNAN KOULA/EPA

O chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, cancelou uma viagem a África devido aos novos bombardeamentos russos, que atribuiu ao desespero do líder russo, Vladimir Putin, após uma série de derrotas na Ucrânia.

A Rússia bombardeou, esta segunda-feira, várias regiões da Ucrânia, incluindo a capital, Kiev, provocando pelo menos dez mortos e 60 feridos, segundo o balanço mais recente das autoridades ucranianas.

"Putin está desesperado por causa das derrotas no campo de batalha e está a usar o terrorismo dos mísseis para tentar mudar o ritmo da guerra a seu favor", escreveu Kuleba na rede social Twitter, segundo a agência francesa AFP.

A partir de Nairobi, Kuleba anunciou que decidiu interromper uma viagem por países africanos, iniciada há uma semana, e regressar à Ucrânia devido aos novos desenvolvimentos da guerra.

"Tenho estado em contacto permanente com os meus parceiros desde esta manhã para coordenar uma resposta determinada aos ataques russos. Interromperei também a minha viagem a África e regressarei imediatamente à Ucrânia", disse no Twitter, citado pela agência espanhola EFE.

Kuleba esteve esta segunda-feira no Quénia, de acordo com a embaixada da Ucrânia em Nairobi, depois de visitar o Senegal, a Costa do Marfim e o Gana na semana passada, onde se encontrou com os seus homólogos desses países.

O chefe da diplomacia ucraniana encontrou-se também com o chefe de Estado senegalês e atual presidente da União Africana (UA), Macky Sall, com o vice-presidente da Costa do Marfim, Tiémoko Meyliet Koné, e com o presidente do Gana, Nana Akufo-Addo.

A digressão visava reforçar as relações entre Kiev e África, e reunir o apoio dos países do continente, na sequência da invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro deste ano.

Embora a UA tenha apelado repetidamente para um cessar-fogo no conflito, muitas nações africanas têm-se abstido nas votações da ONU que punem a Rússia.

Esta posição está ligada não só ao poder político e económico de Moscovo em África, mas também a razões históricas, como o apoio soviético aos movimentos anticoloniais no século XX e a luta contra o sistema "apartheid" segregacionista na África do Sul.

Os bombardeamentos russos de hoje seguiram-se a uma explosão, no sábado, que danificou a ponte da Crimeia, entre a Rússia e a península ucraniana que Moscovo anexou em 2014.

Considerada como um símbolo da integração da Crimeia na Rússia, a ponte tem sido usada para o transporte de equipamento militar pesado e mantimentos para as tropas russas no sul da Ucrânia.

Os bombardeamentos russos foram condenados por vários aliados da Ucrânia, incluindo Portugal, e serão discutidos pelos líderes do G7 na terça-feira, numa videoconferência em que participará o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

O grupo, que reúne os sete países mais industrializados do mundo, é constituído por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

A União Europeia (UE) também está representada no G7.

JN/Agências