Justiça

Suspeitos de matarem português na Galiza ficam em prisão preventiva

Os detidos foram escoltados pela Guarda Civil Marta G. Brea / Faro de Vigo

Os dois homens suspeitos da autoria do assassínio, na Galiza, de um português, natural de Viana do Castelo e que estava emigrado em Pontevedra, ficam em prisão preventiva, decidiu este fim de semana a juíza de instrução criminal da Comarca de O Porriño, em Espanha.

Ambos de nacionalidade espanhola, os dois homens estão fortemente indiciados pelo assassínio de Carlos Alberto Videira do Órfão, que teria hoje 41 anos de idade, não tivesse sido morto à pancada e atirado para o fundo de um poço, nos arredores de O Porriño.

As informações já recolhidas pelo Grupo de Investigação de Delitos Contra as Pessoas, unidade da Polícia Judicial da Guarda Civil, apontam para uma cilada, durante a qual ambos os suspeitos se terão feito passar por polícias, usando crachás e algemas.

Para atraírem a vítima à emboscada, aqueles dois homens terão usado um terceiro homem, dono de uma oficina em Vigo. Carlos do Órfão estaria aqui quando os dois falsos polícias apareceram e o levaram.

O proprietário da oficina também foi detido, na semana passada, mas seria libertado provisoriamente pelo Juízo de Instrução Criminal de O Porriño.

O grau de eventual cumplicidade deste suspeito ainda está a ser apurado, assim como o de um casal de familiares seus, acerca dos quais há suspeitas de possível encobrimento. Este casal também foi detido, mas nem chegou a ser apresentado à juíza de instrução criminal.

Dívidas sobre a morte

O móbil do crime teria sido uma alegada dívida da vítima. Suspeita-se que os presumíveis autores do crime estariam a trabalhar para credores de Carlos do Órfão, que, nos últimos tempos de vida, enfrentava dificuldades financeiras nos negócios.

A vítima dedicava-se à compra e venda de automóveis usados, em Pontevedra, na Galiza, Espanha, tendo deixado de cumprir com alguns credores, que, a dada altura, criaram um grupo no WhatsApp, para sistematizar informações sobre Carlos do Órfão.

Segundo as autoridades policiais espanholas, os problemas agudizaram-se entre os anos de 2019 e de 2020, período durante o qual foi cometido o assassínio. A autópsia e os exames complementares não conseguiram apurar a data do crime.

A causa provável da morte foi uma pancada no crânio com objeto contundente. Os restos mortais de Carlos do Órfão vieram a ser encontrados, em avançado estado de decomposição, num poço de uma antiga fábrica de transformação de mármore para campas funerárias, situada junto ao rio Louro, na zona industrial de O Cerquido, em O Porriño.

A identidade da vítima, que permaneceu incógnita durante mais de um ano, só foi descoberta graças a um retrato-robô que foi concebido através de uma nova técnica multidisciplinar de reconhecimento facial, até então inédita em Espanha e pouco usada em toda a Europa.

Um antropólogo forense, Fernando Serrulla Rech, com uma estudante de Belas Artes, Alba Sanín Rodríguez, através do rosto da vítima fizeram um retrato-robô tão fidedigno, que os familiares reconheceram Carlos do Órfão, pelas imagens nos jornais.

Joaquim Gomes